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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Mandacaru

Mandacaru é um cacto!
Aquele que tem três quinas,
Tem os espinhos compridos,
Com todas as pontas bem finas,
Se você quer encontrar,
Basta você ir passear,
Nas caatingas nordestinas.

O poeta se delicia,
Quando alguém lhe der um tema,
Seja pra falar do mororó,
De angico ou da jurema,
Mas aqui eu falo do cacto,
Que um radialista pacato,
Viajou neste dilema.

Não sei porque cargas d’águas,
Pediu pra eu trabalhar,
Pra falar do mandacaru,
Sem precisar pesquisar,
Tem uma fruta vermelha,
Que quem gosta é a abelha,
Com o néctar se deliciar.

Poderia ser o marmeleiro,
Ou mesmo a sipaúba,
O carrasco ou paucotê,
Frei Jorge ou timbaúba,
Não pensou em urucu,
Quis foi o mandacaru,
Nem lembrou da carnaúba.

Poderia ser o pau ferro,
Ou mesmo o pau Brasil,
No meio de tantos frutos,
Ele foi muito sutil,
Foi numa árvore diferente,
Que chama atenção da gente,
E que ninguém descobriu.

Esta planta ela resiste,
Muito tempo sem chover,
Passa seca muitas secas,
E pode sobreviver,
É verde igual à palmeira,
Sua história é verdadeira,
E nunca que vai morrer.

Segundo um radialista,
Lá da rádio mineral,
O mandacaru é uma planta,
Muito medicinal,
Comida dos animais,
Contem os sais minerais,
Não existe outro igual.

O locutor falou também,
Das suas curiosidades,
Faz o xarope expectorante,
E outras necessidades,
O remédio de vesícula,
Dentro de suas partículas,
Existem as particularidades.

É só fulora na seca,
Como diz o Gonzagão,
O mandacaru fez história,
Do nosso rei do Baião,
Por isso nesta passagem,
Preparamos esta homenagem,
Com esta fruta do sertão.

Poderíamos ter falado,
Aqui também do cajueiro,
Da mangueira tão frondosa,
Ou até do Juazeiro,
Ou até do pé de umbu,
Mais foi o mandacaru,
Que venceu neste roteiro.

Tem uma história do passado,
Muitas vezes foi contada,
Uma vez o lampião,
Tava de barguia virada,
Fez o cabra ficar nu,
E abraçar o mandacaru,
E dar cinquenta barrigadas.

Tem a unha de gato,
Tem também a aroeira,
Poderia ter falado,
Até mesmo a goiabeira,
Mais aqui quem foi lembrado,
Foi a planta do serrado,
Que hoje passa ser a primeira.

O mandacaru é uma palma,
De uma forma diferente,
Serve até de refeição,
Já matou fome de gente,
Quem contou foi meu avô,
Foi assim que me falou,
Eu não conto diferente.

Veja que o mandacaru,
Tem sua história singular,
É através de um tema,
Que podemos pesquisar,
Deixo um abraço ao leitor,
E agradecer o locutor,
Esta curiosidade versejar.



de Barreiro Grande
Dias D'ávila - BA - por correio eletrônico

Assim nasceu o poder...!!!

Homo Sapiens, os primitivos,
Pré historia, “inicio” da sociedade,
Nômades, o fogo e instrumentos,
Viver em tribos, “comunidades”.
Povos criando seus próprios “estilos”,
Surgem “culturas” e necessidades,
O “Intelecto” e observação “humana”,
“Descobre” o cultivo e a diversidade.

Domesticar animais, suprir o necessário
“Agricultura”, “sobrevivência”, criação,
Sistema de “troca”, “equivalência”.
“Moeda”, “mercadoria”, evolução,
A “civilização”, “conhecimento apropriado”
“Mercado” polis e “exploração”,
Dominação, feudos, burguesia,
Império, capitalismo, industrialização.

“Proteger seus interesses”,
O “Estado” foi criado,
“Legitimados” pelas “leis”,
“Justificar” os seus pecados,
Começam a “controlar”,
Todos os “recursos naturais”,
Aquilo que “...seria de todos”,
“Está na lei! Foi privado! É capital!”

Uns concentram demais,
Muitos sem ter o que comer,
Reprimem os descontentes,
É legal impor o “PODER”.
São quatro as esferas do “poder”,
Pro povo eles dominar,
O “PODER BÉLICO” origina as guerras,
Não é “crime” eles matar.

O “PODER ECONÔMICO” é concentrado,
Acúmulo e controle financeiro,
Recursos naturais, estruturas,
Meios de produção e o dinheiro.
O “PODER POLÍTICO” legisla as leis,
Executa e judicia no martelo,
Nos plenários e gabinetes,
Tribunais, reprime os flagelos.

O “PODER IDEOLÓGICO” é o mais importante,
O qual forma nossa razão,
Criam seitas, controlam as escolas,
E os meios de comunicação.
O “político” é planejado,
Pro “econômico” ser garantido,
O “ideológico” manipula, aliena,
Acomoda com fetiche é iludido,

O “bélico”, chacinas legalizadas,
Se o “das ideias” perder o controle,
“Das leis” que amparam e garantem,
Os “privilégios” dos senhores.
A “escola” prepara as pessoas,
Pra servir o seu ”patrão”,
“Anestesia” as consciências,
Pra “competir” com o irmão.

O “inimigo” é o pobre colega,
No posto de trabalho “competir”,
“Puxa saco” de seu patrão,
Querer ser melhor em “produzir”.
Em cada ano de “eleição”,
A “mais-valia” da força de trabalho extraída,
“Compram” votos nas campanhas,
Pra roda do poder ser “garantida.

Se o povo se “revoltar”,
Usam a “lei” pra calar,
Se “persistirem” exigir os direitos,
Vem o “outro...” pra dizimar.
O “político” quando desmoralizado,
Ameaça o “econômico” desabar,
Fragiliza, coroe o “ideológico”,
O “bélico” é o desespero... e eles vão usar!

Este labirinto, parece sem saída,
É a atual estrutura do “Estado”,
Até quando andaremos em círculo,
Igual cão correndo atrás do rabo.
O gigante dos “QUATRO PODERES”.
Acreditem! Está fragilizado!
Existe um “poder” ainda mais forte!
Que é o “PODER do POVO ORGANIZADO”.

de Clairton Buffon
Chapecó - SC - por correio eletrônico

Cordel do Amor Cego

FOTO: We Heart It


Em Literatura de Cordel
Um caso será versado,
Onde o mesmo está sendo
Pela internet divulgado.
Um fato impressionante
Que lhe deixará emocionado.

Existia um certo rapaz
Vivendo grande emoção,
Vítima do anjo cupido
Das flechas da paixão,
Encantado por uma moça
Que enfeitiçou seu coração.

Sua paixão pela moça
Era tipo encantada.
Pensava nela todo instante
Não se concentrava em nada,
Sentia-se muito feliz
Ao lado de sua amada.

Trabalhava o dia inteiro
Tinha uma rotina corrida.
Mas todo dia ele ia
Encontrar sua querida.
Dizia todo orgulhoso
Que ela era sua vida.

Abandonou seus estudos
Para poder trabalhar,
Seu maior desejo
Era com ela casar.
Ganhar muito dinheiro
Uma vida boa lhe dar.

Ter muitos filhos
E uma boa morada.
Vê seus sonhos acontecerem
Sua sina realizada.
Viver feliz eternamente
Ao lado de sua amada.

Mas ele vivia um dilema
Um grande tormento.
Havia um empecilho
Que impedia o casamento,
A moça não enxergava
Era cega de nascimento.

Devido à sua deficiência
Ela estava sempre a lamentar.
Dizia para o rapaz
Que só iria se casar,
Quando fizesse o transplante
E voltasse a enxergar.

O rapaz desta forma
Angustiado vivia,
Com pena da amada
Pois ela muito sofria.
Aguardando um doador
Para sua cirurgia.

Os meses se passavam
Ele aumentava seu sofrer,
Pois seu maior sonho
Era com a moça viver.
"Só depois do transplante"
Ela insistia em dizer.

O rapaz certa noite
Tomou uma decisão,
Chegou para a moça
Disse com precisão:
- Você é minha vida
Manda no meu coração.

- É grande meu sofrimento
Não aguento mais esperar,
Sofro a cada dia
É grande meu penar.
Pois só tenho um sonho
É com você me casar.

- Faço o que for possível!
Ele continuou a dizer:
- Dou minha própria vida
Para poder ter você.
Pois com você casando
Vou parar de sofrer.

Depois das palavras
Começou a chorar.
A moça lhe abraçou
E voltou a afirmar,
Que os dois se casariam
Quando ela voltasse enxergar.

Uma semana se passou
Num amanhecer de um dia,
Ela recebeu uma ligação
Que causou alegria.
Estava sendo chamada
Para fazer a cirurgia.

A cirurgia das córneas
Foi com sucesso realizada.
Sua maior vontade
Tinha se concretizada.
A tão sonhada visão
Estava recuperada.

Dois dias se passaram
Para o namorado ligou,
Sobre sua cirurgia
Com orgulho falou.
O rapaz muito feliz
Com a notícia ficou.

Ele pediu para a moça
Ir com ele conversar.
No fim daquele dia
Ela foi lhe visitar,
Para junto com ele
O casamento marcar.

Quando viu seu namorado
Sentiu faltar o chão,
Pois ela descobriu
Naquela exata ocasião,
Que ele também era cego
Não possuía visão.

Ficou sem entender
Não soube o que falar,
Ficou desconsertada
Não queria acreditar,
Que com um cego iria
A sua vida levar.

A moça naquele momento
Mostrou seu outro lado.
Disse que não mais casaria
Com o seu namorado.
Sendo cego ele seria
Um fardo pesado.

O namorado ouvindo
Não quis acreditar.
Pois seu maior sonho
Era com ela casar.
Sentindo a dor da traição
Começou a chorar.

- Não faça isso comigo
É minha amada querida!
Ao ouvir a moça disse,
De uma forma ressentida:
- Um marido sem enxergar
É um fardo na vida!

A moça sem piedade
Sem ter dele compaixão.
Ordenou que ele esquecesse
E a tirasse do coração.
Pois a partir daquele dia
Não havia mais relação.

O rapaz quase morreu
Naquele triste momento.
As palavras de sua amada
Aumentaram seu sofrimento,
Pois seu maior sonho
Era aquele casamento.

A moça para aumentar
A sua ingratidão,
Disse que partiria
Para outra região,
Procurar novos rumos
Pois agora tinha visão.

Nesse exato momento
O rapaz disse assim:
- Meu amor por você
É fiel e não terá fim.
Cuide das minhas córneas
Faça isso por mim!

- Eu não nasci cego!
Continuou a soluçar:
- Doei-lhe minhas córneas
Para você enxergar.
Pois você me prometeu
Que só assim iria casar.

- Mas me enganei,
O destino foi traçado!
Siga agora seu rumo
Irei para outro lado.
Seja bastante feliz
Nos braços de outro amado.

Com aquela descoberta
A moça estremeceu.
Sua consciência pesou
Com o que aconteceu.
Sentiu o juízo girar
Pela rua louca correu.

Correu loucamente
Sem rumo, sem direção.
Seu namorado ficou
Numa grande aflição,
Pois havia perdido
Sua grande paixão.

Ponho um ponto final
Neste triste cordel.
O amor é mesmo assim
As vezes doce, as vezes fel.
É sinônimo de bondade
Mas outras vezes cruel.


de Orlando Paiva
Porto - PI - por correio eletrônico