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quarta-feira, 30 de março de 2011

PATATIVA DO ASSARÉ - UMA HOMENAGEM

Em mil novecentos e nove
Com a benção do Criador
Em Assaré, no Ceará
Filho de um lavrador
Vem ao mundo um menino
Que por obra do destino
Viria a ser cantador.

Antonio Gonçalves da Silva
Já com oito anos de idade
Tinha fama de violeiro
Em toda a sua cidade
Não freqüentava a escola
Nem sei se por jogar bola
Fazia gosto e vontade.

Somente aos doze anos
Foi ele alfabetizado
Até então o menino
Nunca havia estudado
Mas não chegou nem a um ano
Seis meses se não me engano
Foi o seu aprendizado.

Se o estudo não foi o bastante
Pra ele foi suficiente
Porque também precisava
Pegar duro no batente
Então comprou uma viola
Não mais voltou à escola
E tocou a vida em frente.

Foi em Belém do Pará
Numa viagem festiva
Que ganhou de um amigo
A alcunha de Patativa
E assim foi batizado
O cantador afamado
Antonio Gonçalves da Silva

Mas Patativa eram todos
Os cantadores de então
Era muita patativa
Pra o gosto do cidadão
Pra fazer a diferença
Da sua terra de nascença
Trouxe a denominação!

Patativa do Assaré
Surge pra posteridade
Com esse nome o poeta
Alcança a imortalidade
Leva ao mundo a sua mensagem
E também faz homenagem
A Assaré sua cidade.

Tempos depois Patativa
Já então um homem feito
Poeta e improvisador
E cantador por direito
Desposa a dona Belinha
Que vai ser musa e rainha
Daquele grande sujeito.

Os seus poemas transcritos
Por Jose Arraes de Alencar
Compõem o primeiro livro
Que ele vem a publicar
“Inspiração Nordestina”
Só vem confirmar sua sina
De poeta popular

Mais tarde o amigo Gonzaga
Grava “A triste Partida”
Um poema melancólico
Feito em tons de despedida
De uma família do sertão
Que sem ter agua e sem pão
Parte pra mudar de vida

Esse tema é recorrente
Nos versos de Patativa
A dor do irmão nordestino
E a sua coragem altiva
Também o descaso e a omissão
Com a gente do sertão
Que a fome torna cativa.

Mas não é só de tristeza
Que é feita a sua poesia
Ela revela beleza
Força, fé e alegria
Cântico de amor ao nordeste
Ao sertão e ao agreste
Versos de pura magia!

A lenda, o homem e o mito
O ilustre cidadão
Autodidata aclamado
Com títulos e distinção
Foi sempre simples e amável
Este poeta notável
Um gênio de pé no chão.

Sua arte é referência
Para as novas gerações
Que bebem da sua fonte
Cultivando as tradições
Repentistas, violeiros
Todos eles seus herdeiros
Da sua obra, guardiões.

Sei que não faço justiça
Ao poeta imortal
Mas por meio do cordel
A fala é mais natural
Pra Patativa no céu
Eu vou tirar o chapéu
Como o meu ponto final!

(Euripedes)

* * * * *

Faço neste cordel, uma homenagem a Antonio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, maior poeta popular do Brasil, que escolhi como meu patrono na Academia de Cultura da Bahia.

Euripedes Barbosa
* * * * * * *

Fonte:Saite Recanto das Letras

quinta-feira, 24 de março de 2011

BIG BROTHER BRASIL

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

Autor: Antonio Barreto,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,
residente em Salvador.

ÀGUA, SEIVA DA VIDA, FONTE DE RENOVAÇÃO

ÀGUA PURA CRISTALINA
DESCE PELO LEITO MANSO
CASCATEIA E FAZ REMANSO
HORA EM CURVA, HORA EM LINHA
DEPOIS SEGUE MANSINHA
FILTRADA PARA O PORÃO
COMPRINDO SUA MISSÃO
DEIXANDO A TERRA EMBEBIDA
ÀGUA, SEIVA DA VIDA
FONTE DE RENOVAÇÃO

PENA QUE O HOMEM TEM
MODIFICADO O SEU PERCUSSO
SE ULTILIZADO DE RECURSO
PRA DESTRUIR ESSE BEM
POIS SEM ÀGUA NINGUÉM
NÃO PASSA DE GERAÇÃO
PODE SE VIVER SEM PÃO
MAS SEM ÀGUA NINGUÉM DUVIDA
ÀGUA, SEIVA DA VIDA
FONTE DE RENOVAÇÃO

ONDE ANTES ELA CORRIA
TRANQUILA E TRANSPARENTE
HOJE JÁ É DIFERENTE
NÃO SE VER MAIS O QUE VIA
JÁ NÃO TEM MAIS SERVENTIA
DE TANTA POLUIÇÃO
ESCURO COMO CARVÃO
TODA FONTE ESTÁ PERDIDA
ÀGUA, SEIVA DA VIDA
FONTE DE RENOVAÇÃO

É PRECISO PROTEGER
OS NOSSOS MANANCIAIS
PODENDO SER TARDE DE MAIS
E ÀGUA POTÁVEL NÃO VAI TER
SE O QUADRO NÃO REVERTER
E MUDAR A SITUAÇÃO
ADEUS VIDA NO SERTÃO
SE A CAUSA NÃO FOR VENCIDA
ÀGUA, SEIVA DA VIDA
FONTE DE RENOVAÇÃO

Autor: Lucimario Almeida, Serra Talhada 21 de março de 2011
Em comemoração dia mundial da àgua