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terça-feira, 15 de maio de 2012

CANCÃO (João Batista de Siqueira) 100 anos


O poeta João Batista de Siqueira (Cancão), o pássaro poeta como ficou conhecido, completaria cem anos neste dia 12 de Maio se estivesse vivo.

Poeta popular, mais conhecido por Canção, nasceu em São José do Egito, a 12/05/1912. Em 1950, deixou de participar de cantorias de viola e dedicou-se apenas à poesia escrita. Sua obra já foi classificada pelos críticos como uma versão popular à poesia de poetas românticos como Castro Alves, Fagundes Varela ou Casimiro de Abreu.Freqüentou a escola por pouco tempo ("não cheguei ao segundo livro") e foi, também, oficial de Justiça em sua cidade, onde morreu a 05/07/1982. Livros publicados: "Meu Lugarejo”, Gráfico Editora Nunes Ltda, Recife, 1978; "Musa Sertaneja" e "Flores do Pajeú". Folhetos de Cordel de sua autoria: "Fenômeno da Noite", "Mundo das Trevas", "Só Deus é Quem Tem Poder".Cancão deixou Três Livros publicados:MEU LUGAREJO - 1978 / MUSA SERTANEJA / FLORES DO PAJEÚFolhetos de Cordel de sua autoria:"Fenômeno da Noite", "Mundo das Trevas", "Só Deus é Quem Tem Poder".


MEU LUGAREJO


I
Meu recanto pequenino
De planalto e de baixio
Onde eu brincava em menino
Pelos barrancos do rio
Gigantescos braunais
Meus soberbos taquarais
Cheios de viço e vigor
Belas roseiras nevadas
Diariamente abanadas
Das asas do beija-flor.


II
A terra da catingueira
Criada na penedia
Onde a ave prazenteira
Canta a chegada do dia
Planalto, ribeiro, prado
Onde até o próprio gado
Parece ter mais prazer
Terreno das andorinhas
Onde arrulham mil rolinhas
Quando começa a chover.


III
A borboleta ligeira
Que desce do verde monte
Passa voando maneira
Roçando as águas da fonte
As aragens dos campestres
Pelas florzinhas silvestres
Atravessam sem alarde
Quando o sol se debruça
A Natureza soluça
Nas sombras do véu da tarde.


IV
Terreno em que os sabiás
Cantam com mais queixumes
Belas noites de cristais
Cravadas de vaga-lumes
Meus mangueirais magníficos
Por onde os ventos pacíficos
Atravessam mansamente
Verdes matas perfumadas
Nas lindas tardes toldadas
Das cinzas do sol poente.


V
Esvoaçam, preguiçosas
As abelhas pequeninas
Tirando néctar das rosas
Das regiões campesinas
Os colibris multicores
Pelos serenos verdores
Perpassam com sutileza
O orvalho cristalino
Lembra o pranto divino
Dos olhos da Natureza.


VI
Palmeiras que o rouxinol
Canta ainda horas inteiras
As auras do pôr-do-sol
Soluçam nas laranjeiras
A pelúcia aveludada
De muitas flores bordada
Desde o vale até o outeiro
Lugar em que cada planta
Soluça, sorri e canta
Pelos trovões de janeiro


VII
Deslumbra a gente o encanto
Das borboletas douradas
Pousarem no róscio santo
Das manhãs cristalizadas
Fingem variadas fitas
De fato que são bonitas
Porém se fingem mais belas
Que a divina Natureza
Por ter-lhes posto a beleza
Deu mais vaidade a elas.


VIII
Oh, noite de lua cheia
De minha terra querida
Lindas baixadas de areia
Princípios da minha vida
Lugares de despenhado
Onde gozei, descansado
Sombra, frescura e carinho
Bosque, vale, serrania
Lugares onde eu vivia
Em busca de passarinho.


IX
Os colibris delicados
Pelas manhãs de neblina
Passam voando vexados
Na vastidão da campina
Nos frondosos jiquiris
Dezenas de bem-te-vis
Elevam seus madrigais
Lugar que grita o carão
Olhando o santo clarão
Primeiro que o dia traz.


X
As pequeninas ovelhas
Descem buscando o aprisco
Colhendo ainda as centelhas
Do sol ocultando o disco
Seguem pelas mesmas trilhas
Como que sejam as filhas
Dum pastor que lhes quer bem
Recebendo ainda as cores
Dos derradeiros rubores
Que o céu do oeste tem.


XI
Vivia sempre brincando
Fosse de noite ou de dia
Na alma se apresentando
Um mundo de poesia
Minhas queridas delícias
Aquelas santas primícias
Se passaram como um hino
Hoje só resta a lembrança
Do tempo em que fui criança
No meu torrão pequenino.


Fonte: Portal do Pajeú

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Mãe



Mãe é aquela que cuida
Do filho com muito amor
Mãe é aquela que educa
Sem diploma de professor
O que a mãe ensina ao filho
Pra toda vida tem valor

O amor de mãe não tem
No mundo comparação
Amor de mãe é sem limite
E maior é a sua proteção
Coração de mãe é tão grande
Que cabe mais de um coração

Por isso mãe neste dia
Quero lhe homenagear
Em nome de todos os filhos
Que a senhora pode criar
E que deu todo seu amor
Pra que pudessem estudar

Mãe sei que a senhora sabe
Que mãe cria filhos pro'mundo
Que um dia eles criam asas
Para outros solos fecundos
Mas um bom filho a casa torna
Depois de conhecer outros "mundos"

Mãe deixamos aqui firmado
O nosso reconhecimento
Do esforço que fizestes
Em prol do nosso crescimento
E que Deus te abençoe sempre
Agora e em todo momento

Homenagem ao Dia das Mães 13 de Maio
De: Mario Almeida 08/05/2012
São José do Egito-PE

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Uma Rede?



Encontrei certo dia no caminho
Um mendigo andando a mendigar
Perguntei o que quer realizar
Respondeu o meu sonho é pequeninho

E depois explicou bem direitinho
Que esmola, todinha, irá juntar.
E então uma rede vai comprar
Pra ficar sossegado no cantinho.

Dei dez contos a ele e fui embora
Viajei e passei dez anos fora
Ao chegar o mendigo apareceu

E mim disse, a rede não comprei.
Rede esta tão cara perguntei?
Rede globo, assim mim respondeu...


José Nilton (poeta divino)(15/03/12)