Blog Sertão Poeta, Anuncie!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Jóia Rara


    Imagem Arquivo Pessoal - Ao Amor da Minha Vida DAIZA Minha Jóia Rara

Eu, garimpando um amor 
Pra enricar meu coração, 
Vi a jóia de valor 
Nas jazida do Sertão. 
E eu peguei ela pra mim 
Porque jóia rara assim, 
Qualquer um sonha em ter dela, 
Pois se for oiá dereito, 
Ela é tão rara de um jeito, 
Que existe somente ela.

Essa jóia é deferente 
Das jóia do mundo intêro. 
Ela é gente e sendo gente,
 
Pra comprar, não hai dinhêro.
 
Minha jóia é meu benzinho
 
Que me enrica de carinho
 
Quando agente se namora...
 
Jóia pura e dilicada,
 
Não essas jóia banhada,
 
Que é bonita só pui fora!

Deus que fez e eu achei, 
Pense numa sorte a minha.
 
E a danada ainda vêi
 
Toda lapidadazinha:
 
Honesta, séria, educada,
 
Cabôca toda prendada,
 
Era tudo o que eu queria.
 
Jóia rara, meiga e bela.
 
Me perdoe, mas perto dela
 
As ôta é bijuteria.

Os seus ói é dois diamante, 
Os Seus pelo é cor de ôro,
 
Seu sorriso é de briante.
 
É ou num é um tesôro?
 
Sua pele é seda pura...
 
Hai no mundo ôta figura
 
Tão foimosa quanto aquela?
 
Num hai, que eu tenho certeza.
 
Acho inté que a natureza
 
Se empoigou pra fazer ela!

Irmeralda, Tuimalina, 
Rubi, opala, briante,
 
Tapázio, ôro, pratina,
 
Ametista e diamante,
 
Tudo tenta arremedar
 
O seu jeitim de briar...
 
Tenta, mas num arremeda!
 
E pra mim, essas riqueza,
 
Pertim de sua beleza,
 
É tudo chêcho de péda!

Seu brio chega infeitiça 
Os marmanjo de prantão.
 
Causando muita cubiça
 
Nos desejo dos ladrão,
 
Mas pra tirar ela d’eu,
 
Sei que ainda num nasceu,
 
Quem cruze no meu caminho...
 
Que eu não sou besta e nem nada
 
E guardo ela bem guardada
 
No meu cofre de Carinho!

O seu valor eu nem sei 
Se acaso eu some hai um fim... 
Também nem me interessei,
 
Que eu tando vivendo assim,
 
Feliz cuma tô vivendo,
 
Num dou, num troco e nem vendo
 
Essa jóia de valor.
 
Quero ela desse jeito:
 
Na poupança do meu peito
 
Rendendo juros de amor.

Pra quem bota má oiado, 
Querendo a jóia que eu tem,
 
Procure bem procurado,
 
Que encontra alguma também,
 
Mas iguá, iguá, jamais,
 
Pois no mundo num tem mais
 
Jóia da merma aparença,
 
Mas se achar mêi parecida,
 
Dê de torna a sua vida,
 
Que eu garanto que compensa!

Vinícius Gregório
Fonte: Blog Léo Medeiros - Poeta Popular

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Homenagem a Minha Noiva Daiza




Eramos nois dois avulsos
Mas com destino traçado
Já mais imaginariamos
Ser pelo amor fisgado
Mas quando o amor vem
Não manda avisar ninguém
Quando ver já estar do lado
01
A primeira vez que te vi
Não quis saber quem é
Nem jamais imaginaria
Que serias minha mulher
Mas o amor se encarregou
E dois “eu” num só juntou
Pra sempre se Deus quizer
02
Hoje eu posso dizer sim
Que vivo a felicidade
Que encontrei meu amor
Minha outra cara metade
Um alguém que me completa
Minha vida hoje é repleta
De muito amor de verdade
03
Voce entrou em minha vida
Quando mais eu precisava
Voce veio como um anjo
Um anjo que Deus guardava
E te  enviou aqui pra terra
Porque Deus nunca erra
Por isso eu já esperava
04
Pra mim meu amor és tudo
A mulher que eu sonhava
Demorou te encontrar
 E te encontrar não esperava
Foi o destino que assim quis
Nos juntar pra ser feliz
E um ao outro reservava
05
Eu quero casar contigo
Não somente por casar
Quero viver ao teu lado
E Para sempre te amar
Pra te dar todo carinho
Não quero viver sozinho
Pois contigo quero estar
06
Daiza minha querida
Voce pra mim é tudo
Depois de te conhecer
Voce se tornou meu mundo
Não consigo mais respirar
Se voce comigo não estar
Mesmo que por um segundo
07
Quero que voce sejas
Pra sempre a minha amada
Quero te dar o meu amor
Não vou te faltar em nada
Teras minha companhia
A cada nascer do dia
E nas noites enluaradas
08
O amor que sinto por ti
É bem maior que o mar
É maior que o universo
Não dar pra comparar
Do amor o seu tamanho
De amor te darei um banho
Pra o amor nunca faltar
09
Quando a gente gosta
E se ama de verdade
Nem nunca é tão cedo
Nem nunca é tão tarde
O amor não tem medida
Não é conta divida
Nem tão pouco tem idade
10

Autor: Mario Almeida
A minha Noiva Daiza Ferreira

terça-feira, 14 de maio de 2013

O Matuto e a Internet




Zé de Dona quiterinha
Era um cabra amatutado
As viagens que ele tinha
 Restringia-se Ao roçado
Cabra forte de coragem
Eu guardava a sua imagem
Dos tempos que longe vão
Falava errado talvez
Porque pobre não tem vez
Nem tempo pra educação.
Fazia mais de seis anos
Que eu não tinha visto Zé
Foi então que fiz
 os planos de velo
E com muita fé parti
 para o meu sertão
na minha imaginação
lembrei de Zé no passado
cabra matuto de pia
eu nunca imaginaria
 que José tinha mudado.
a viajem foi ligeira
cheguei aqui a tardinha
e fui em toda carreira
pra casa de quiterinha
chamei mas ninguém
ouviu chamei de novo
E saiu quitera e sua bondade
que mim abraçou dando um laço
mantando nun só abraço
 Seis anos de saudade
Quitéria foi mim falando
Que Zé tava no roçado
Que logo ia voltar
Depois de trancar o gado
E a te ai tudo igual
Dona Quitéria normal
Zé trabalhando na roça
Fiquei ali como estava
Quando eu menos esperava
Escuto aquela voz grossa
Era Zé, meu grande amigo
A mesma aparência rude
Daquele jose antigo
Dos nossos banhos de açude
O mesmo palavreado
Com o seu português errado
Assassinado o plural
Em vez das vacas, as vaca
Em vez das facas, as faca
E até ai tudo igual
E a gente foi coversando
Recordando as alegrias
Depois fiquei declamando
Para Zé algumas poesias
Que de tanto ele gostar
Pediu para eu mandar
Os versos desde o começo
E eu lhe disse sem rodeio
Vou mandar pelos correio
Dite ai seu endereço
Foi então que percebi
 Que José tinha mudado
A primeira vez que eu vi
Um matuto informatizado
Zé disse pra quer correio
Repasse pra o meu email
Que ele chega sem demora
Hoje ninguém vive sem
E se você ainda não tem
Crie que já passou da hora
Fiquei de queixo caído
E disse pronto danôce
Se o mundo tava perdido
Com essa acaboce
Mas Zé ficou todo serio
 E disse Qual o mistério
Mudando da voz o tom
Anote sem oba oba
Zé de quiterinha arroba
Hotmail ponto com.;
E disse as coisas de lá
Por aqui já repercute
Se quizer é so mandar
Os versos pro meu orkute
Que eu vou na lan house
De baixo pego meu pen driver
E encaixo na entrada USB
Armazeno os verso seu
Depois repasso pro meu
Notebook e vou só Ler.
 Eu fiquei bestificado
Não entende quase nada
Fiquei todo envergonhado
Mas com a boca calada
Deixei Zé continuar
Que danoce a falar
Num tal de twiter
Que eu nem sei o que significado
Mas Zé falou de voz rica
Hoje todo mundo tem.
Ai eu pensei mais
É danado José erra o português
Mas fala todo acertado
Pronunciando o inglês
Falou num blog que tinha
E ai dona quiterinha falou
Vê se não esquece.
Entre no Google e na linha
Bote Zé de quiterinha
Clique no link e acesse
Pensei com migo já visse
Que veinha mais danada
Mas dessa vez nada disse
Mantive a boca calada
E Quitéria indagou solene
Tu tens MSN?
O meu o meu e fácil não erre
Mim adicione no seu hol.
Quiterinha arroba bol
Ponto com ponto BR.
Eu fiquei todo perdido
No mundo informatizado
Mim achava muito sabido
Mim senti todo humilhado
Pensei que as modernidades
Vinha ser em grandes cidades
Preconceito besta o meu
Fui mim borá do sertão
Mas fui com a convicção
De que o matuto sou eu

(Vinicius Gregório)