quinta-feira, 28 de julho de 2011

VERSOS – PRESERVAÇÃO DO NOSSO MEIO AMBIENTE

DESAFIO LUCIMARIO ALMEIDA E JUCIÊ JOEGE
JUSSIÊ DISSE:

FALANDO EM DESMATAMENTO
EU JÁ DEIXO O MEU RECADO
QUANDO APENAS UM JUMENTO
SE CRIAR NO SEU ROÇADO
É SINAL QUE O SEU SOLO
JÁ ESTÁ BEM DEGRADADO

LUCIMARIO DISSE:

E COM O SOLO DEGRADADO
JAMAIS HÁ DE PRODUZIR
MESMO QUE UMA BOA SEMENTE
SEJA SEMEADA ALÍ
ELA NÃO VAI PROSPERAR
CRESCER NÃO VAI CONSEGUIR

JUSSIÊ DISSE:

SE ELA CRESCER, CONSEGUIR
O REFLEXO VEM DEPOIS
OS BODES VÃO FICAR FRACO
TAMBEM AS JUNTAS DE BOIS
OS SITEMAS SÃO INTEGRADOS
TEM QUE TRABALHAR OS DOIS

LUCIMARIO DISSE:

É BOM NÃO DEIXAR PRA DEPOIS
ESSA NOSSA PREOCULPAÇÃO
CIUDAR BEM DOS NOSSOS SOLOS
TRABALHAR A CONSERVAÇÃO
PRA O SERTÃO NÃO DESABAR
E DEIXAR DESERTIFICAÇÃO

JUSSIÊ DISSE:

JÁ TEM INICIATIVAS
SENDO FEITAS NO MOMENTO
ESTÃO TENTANDO MUDAR
ESTE ACONTECIMENTO
MAS OUTRO QUE ESTÁ PRESENTE
É O TAL AQUECIMENTO

LUCIMARIO DISSE:

ESSE TAL AQUECIMENTO
TEM MUITO HAVER COM A GENTE
AUMENTA A TEMPERATURA
NO NOSSO MEIO AMBIENTE
SE NÃO AUMENTAR A VEGETAÇÃO
VAI QUEIMAR TODO VIVENTE

JUSSIÊ DISSE:

FALANDO EM AQUECIMENTO
TEM OUTRA ALTERNATIVA
É COMEÇAR PRESERVANDO
A NOSSA MATA NATIVA
E FAZER DE TUDO UM POUCO
PRA MANTER A TERRA VIVA

LUCIMARIO DISSE:

E DIANTE DO RELATO
FALO COM DISCERNIMENTO
SE DA NOSSA CAATINGA
JÁ SE FOI 70 POR CENTO
VAMOS REVERTER O QUADRO
PRA DEPOIS NÃO TER LAMENTO

O RETRATO DO SERTÃO

Patativa do Assaré

Se o poeta marinheiro
Canta as belezas do mar,
Como poeta roceiro
Quero o meu sertão cantar
Com respeito e com carinho.
Meu abrigo, meu cantinho,
Onde viveram meus pais.
O mais puro amor dedico
Ao meu sertão caro e rico
De belezas naturais.

Meu sertão das vaquejadas,
Das festas de apartação,
Das alegres luaradas,
Das debulhas de feijão,
Das Danças de São Gonçalo,
Das corridas de cavalo
Das caçadas de tatu,
Onde o caboclo desperta
Conhecendo a hora certa
Pelo canto do nambu.

É diferente da praça
A vida no meu sertão;
Tem graça, tem muita graça
Uma Noite de São João.
No clarão de uma fogueira,
Tudo dança a noite inteira
No mais alegre pagode,
E um cacoclo bronzeado
Num tamborete sentado
Tocando no pé de bode.

Os que não querem dançar
Divertem com adivinha,
Outros brincam a soltar
Foguete traque e chuvinha.
A mulher quer ser comadre
E o homem quer ser compadre,
Um ao outro dando a mão.
Assim, o festejo cresce
E o sertão todo estremeçe
Dando viva a São joão.

Se por capricho da sorte,
Eu sertanejo nasci,
Até chegar minha sorte
Eu hei de viver aqui,
Sempre humilde e paciente
Vendo, do meu sol ardente
E da lua prateada,
Os belos encantos seus
E escutando a voz de Deus
No canto da passarada.

Aqui, do mundo afastado,
Acostumei-me a viver,
Já nasci predestinado,
Sabendo amar e sofrer.
Neste meu sertão bravio,
Nas belas tardes de estio,
Da chapada ao tabuleiro,
Eu louvo, adoro e bendigo
O ladrar do cão amigo
E o aboiar do vaqueiro.

Se a clara noite aparece,
Temos a mesma beleza.
Tudo é riso, paz e prece,
E a festa da natureza
Seu compasso continua.
A noturna mãe-de-lua
Solta o seu canto agoureiro,
Sua funérea risada,
Vendo a filha imaculada
Brilhando o sertão inteiro.

Que prazer! que grande gozo,
Que bela e doce emoção,
Ouvir o canto saudoso
Do galo do meu sertão,
Na risonha madrugada
De uma noite enluarada!
A gente sente um desejo,
Um desejo de rezar
E nesta prece jurar
Que Jesus foi Sertanejo.

Meu sertão, meu doce ninho,
De tanta beleza rude,
Eu conheço o teu carinho,
Teu amor tua virtude.
Eu choro triste, com pena,
Ao ver a tua morena
Sem letra e sem instrução,
Boa, meiga, alegre e terna
Torcendo um fuso na perna,
Fiando o branco algodão.


Cantei sempre e hei de cantar,
O que o meu coração sente,
Para mais compartilhar
Do sofrer de minha gente.
Com as rimas do meu canto
Quero enxugar o meu pranto,
Vivendo só na saudade
Com esta gente querida,
Modesta e destituída
De orgulho, inveja e vaidade.

Esta gente boa e forte
Para enfrentar conseqüência,
Que zomba da própria sorte
Com sobrada paciência,
Que trabalha e não se cansa,
Porque a sua esperança
É sempre a safra vindoura;
O sonho do sertanejo,
Seu castelo e seu desejo
É sempre o inverno e a lavoura.

Desta gente eu vivo perto,
Sou sertanejo da gema
O sertão é o livro aberto
Onde lemos o poema
Da mais rica inspiração
Vivo dentro do sertão
E o sertão dentro de mim,
Adoro as suas belezas
Que valem mais que as riquezas
dos reinados de aladim.

Porém, se ele é um portento
De riso, graça e primor,
Tem também seu sofrimento,
Sua mágoa e sua dor.
Esta gleba hospitaleira,
Onde a fada feiticeira
Depositou seu condão,
É também um grande abismo
Do triste analfabetismo,
Por falta de proteção.

Sou sertanejo e me orgulho
Por conhecer o sertão
Durmo na rede e me embrulho
Com um lençol de algodão.
De alpercata de rabicho
Penetro no carrapicho,
Sofrendo a vida penosa
Do trabalho do roçado
E por isso sou chamado
Poeta de mão calosa.

Da mais cruel desventura
Conheço o amargo sabor,
Pois vivo da agricultura,
Sou poeta agricultor.
Eu sei com toda certeza
Como é que vive a pobreza
Do sertão do Ceará,
A sua manutenção
É o almoço de feijão
E a janta de mugunzá.

Sou sertanejo e conheço
Meu sertão de carne e osso,
Trabalho muito e padeço
Com a canga no pescoço,
E trago no pensamento
Meu irmão do sofrimento
Que, no duro padeçer,
Levando o peso da cruz,
É quem trabalha e produz
Para a cidade comer.

Eu não ignoro nada
Deste sertão sofredor
Que puxa o cabo da enxada
Sem arado e sem trator.
Pobre sertão esquecido
Que ja está desiludido
E não acredita mais
Nas promessas e nos tratos
E juras de candidatos
Nas festas eleitorais.

Meu sertão da sariema,
Sertão queimado do sol,
que não conhece cinema,
Teatro, nem futebol,
Sertão de doença e fome
Onde o pobre asssina o nome
Com uma pena na mão,
Para, enganado e inocente
Dar um voto inconsciente
Quando é tempo de eleição.

Este sertão que persiste
Soltando os mesmos gemidos
É qual purgatório triste
Das almas dos desvalidos.
Ele não tem providência
De remédio ou de assistência
Pra sua gente roceira,
Dentro do mais pobre quarto
A mulher morre de parto
Nos braços da cachimbeira.

Do livro " CANTE LÁ
QUE EU
CANTO CÁ"
Filosofia de um trovados nordestino
13º Edição - Editora Vozes

APRENDI SELECIONAR MEUS DIAMANTES, PEDAÇOS DE VIDROS NÃO ME ENGANAM MAIS

A AMIZADE EU FAÇO ONDE CHEGAR
POIS SEM AMIZADE A VIDA NÃO TEM VALOR
POR MEUS AMIGOS EU FAÇO O QUE FOR
QUE SE DE MIM UM AMIGO PRECISAR
EU FAÇO DE TUDO PARA LHE AJUDAR
SEJA PRA OUVIR OU DAR CONCELHO TANTO FAZ
POR QUE ABANDONAR UM AMIGO ISSO NÃO FAZ
MESMO QUE POR APENAS UM INSTANTE
APRENDI SELECIONAR MEUS DIAMANTES
PEDAÇOS DE VIDROS NÃO ME ENGANAM MAIS

APRENDI MEUS BONS AMIGOS ESCOLHER
E DE BONS AMIGOS ESTOU BEM RODEADO
SEI QUE TEM UM BOM AMIGO DE CADA LADO
E MUITAS AMIZADES AINDA QUERO FAZER
POIS SE UM DIA MEUS AMIGOS PERDER
SE APAGARAM AS ESTRELAS CELESTIAIS
E MEU MUNDO PERDERÁ TODA A PAZ
COM TUDO NADA SERÁ COMO ANTES
APRENDI SELECIONAR MEUS DIAMANTES
PEDAÇOS DE VIDROS NÃO ME ENGANAM MAIS

Lucimario Almeida

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O POETA E A LUA

MUSICA NOVA DE FERNANDO E VOZES DO CAMPO

ME DEIXA ASSIM...
COMO UM POETA
TENTANDO TOCAR A LUA
COMO UM DESENHO
TATUADO À PELE TUA
COMO UM PERDIDO
QUE ENCONTRA A DIREÇÃO

ME DEIXE NÃO...
A MINHA VIDA SEM VOCÊ
CORRE PERIGO
NÃO TEM CALOR
NÃO TEM SABOR
NÃO TEM SENTIDO
MEU CORPO É FOGO
QUE ACENDE ESSA PAIXÃO

ME DEIXE NÃO...
POIS SEM VOCÊ
EU SOU UM RIO
QUE SE FOI PRO OCEANO
E SE QUISER SABER
O QUANTO QUE TE AMO
É SÓ BATER NA PORTA DO MEU CORAÇÃO

terça-feira, 5 de julho de 2011

Estou...Não sei...Talvés

Estou, apaixonado, louco por voce
Não sei, mas o que eu vou fazer
Desse meu pobre coração
Estou, perdido e inconsiente
Não sei, se tudo vei ser diferente
Pois só me restou a solidão

Talvés, um dia possa lhe enteder
Que o motivo de voce não me querer
Esteja entre a emoção e razão
talvés assim, meu peito possa se desafogar
E uma lágrima no rosto a rolar
Me transforme em uma ilusão...

Autor: lucimario Almeida

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sou um vaqueiro apaixonado

Sou um vaqueiro apaixonado
Por alguém que não me quer
Meu coração dilaçerado
Ainda sofre por essa mulher
Essa vida tão infeliz
Foi o que eu nunca quiz
Mas seja o Que Deus quizer

Lucimario Almeida

terça-feira, 28 de junho de 2011

Conversando com meu pai

Na quietude d'aquela noite densa,
reclamei numa saudade a presença
do meu Pai, que há muito já morreu!...
Sorumbático e só, fiquei na sala,
sem ouvir de ninguém uma só fala:
todos dormiam entregues a Morfeu.

Continuei sozinho da vigília,
contemplando a placidez da mobília,
num silêncio quase que perfeito;
quebrando apenas com o gemer da rede,
as pancadas do relógio na parede
e o pulsar do coração dentro do peito.

De repente, coberta com um véu,
uma nuvem nascia lá do céu,
na sala onde eu estava, caí...
era algo de espanto realmente
dissipa-se a nuvem lentamente
e vai surgindo a imagem do meu pai.

Boa noite, meu filho! E se assusta?
Tenha mais um pouco de calma, porque custa
novamente voltar por este trilho:
Eu rompi os umbrais da eternidade
para, em braços de amor e de saudade,
conversar com você, filho querido!...

Tenho assistido todos os seus passos,
suas lutas, vitórias e fracassos,
em ânsias que não posso mais contê-las:
eu lhe assisto, meu filho, todo dia,
em suas vitórias choro de alegria
e as lágrimas transformam-se em estrelas.

Tenho visto também seus sofrimentos
suas angústias, dores e tormentos
e esperanças que foram já frustradas;
tenho visto, meu filho, da eternidade,
o desencanto de sua mocidade
e o pranto de suas madrugadas.

Compreendo, também, sua tristeza
ante a ânsia que traz na alma presa
de adejar cortando monte e serra;
sua ânsia de voar, cantando notas,
misturar seu vôo ao das gaivotas,
que beijam os céus sem deixar a terra.

Mas, ao lado dos atos de grandeza,
você me causa, filho, também tristeza,
em desgosto minh'alma já flutua:
Ontem, porque não estava pronta a ceia,
prá sua mãe você fez cara feia,
bateu a porta e foi jantar na rua.

Você não soube, meu filho, e no entanto,
ela caiu prostrada em um pranto
soluçando seu íntimo desgosto.
Nunca mais, meu filho, isto faça,
pois para o filho não há maior desgraça
que em sua mãe deixar rugas no rosto.

Nunca mais a ofenda, nem de leve!...
O seu amor a ele aos céus eleve
e escute sempre, sempre o que ela diz.
Peça a Deus para durar sua existência
e, se assim fizer de consciência,
você, na vida, tem que ser feliz.

Conduza-se na vida com altivez,
fazendo da probidade, da honradez,
para você o seu forte brasão;
aprofunde-se, meu filho, no estudo,
fazendo da justiça o seu escudo,
amando o povo como ao seu irmão.

Continue no trabalho a que se entrega
sem temer obstáculo nem refrega,
pois com a vitória sempre você vai,
e se assim fizer, querido filho,
sua vida há de ser toda de brilho,
e honrará o nome de seu pai.

E nisso a nuvem comoventemente,
aos poucos se junta novamente,
envolvendo meu pai num denso véu;
e num olhar meigo e bem sereno,
dirige para mim um triste aceno
e vai de novo subindo para o céu!

E eu fiquei chorando de saudade,
alimentando aquela ansiedade,
sem poder abrandá-la. Que castigo!
Por isso nunca mais dormi. Vivo na ânsia,
esperando que meu Pai rompa a distância,
prá vir de novo conversar comigo.

Você pode pedir pra eu me afastar,só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

NC
Você pode habitar em outro ninho
e visitar ambientes que eu não vou
trabalhar, viajar, assistir show
sem que eu seja uma sombra em seu caminho
se negar a aceitar o meu carinho
não sentir mais saudade de viver
só não pode, é no íntimo do meu ser
passar uma borracha e lhe apagar
Você pode pedir pra eu me afastar,
só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

RN
Só restaram no amor que foi desfeito
os melhores momentos dessa história
as lembranças no vídeo da memória
e as promessas no cofre do meu peito
aceitar que perdi eu não aceito
mas estou consciente de não ter
nunca mais o direito de poder
pelo menos na boca lhe beijar.
Você pode pedir pra eu me afastar,
só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

NC
Você tem o direito de exigir
que eu me afaste de vez da sua vida
que não tem mais a falta da dormida
que não tem mais lembrança de sair
mas você nem ninguém pode impedir
que eu escute isso tudo sem sofrer
e se tiver gargalhando pode crer
que por dentro eu não paro de chorar.
Você pode pedir pra eu me afastar,
só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

RN
Porque sua beleza não é pouca
não existe uma réplica no seu clone
e sua voz de CD. no telefone
inda deixa minha alma quase louca
outro homem beijar a sua boca
e num abraço apertado lhe prender
se eu chegar a ver isso e não morrer
pelo menos em coma eu vou ficar
Você pode pedir pra eu me afastar,
só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

NC
Por mais vezes que eu lute, force ou tente
e me recuse escutar certos boatos
é inútil eu rasgar os seus retratos
se você está inteira em minha mente
já liguei pro trabalho, estava ausente
e onde estava, negaram a me dizer
tu de casa não quer mais me entender
mas estou rastreando o celular.
Você pode pedir pra eu me afastar,
só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

RN
Fiz diversas consultas no INCOR
pra saber o que eu tinha de verdade
o eletro acusou que era saudade
se você não voltar fica pior
vou mandar escrever num outdoor
uma declaração pra você ler
tenho tanta paixão que pra caber
só se o meu coração virasse um mar.
Você pode pedir pra eu me afastar,
só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

NC
Cegamente adorá-la foi meu crime
nem por isso eu estou arrependido
você pode dizer que tem marido
que tem filho e não quer que eu me aproxime
não existe outra pele mais sublime
outro cheiro melhor não pode haver
seu amor não é coisa de comer
mas eu fico sem fome se provar.
Você pode pedir pra eu me afastar,
só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

RN
Inda tenho comigo o seu cartão
telefone, endereço, carta e foto
lhe dei todo meu tempo e hoje noto
que não tenho um minuto de atenção
mergulhado no caos da solidão
sem nenhuma notícia receber
prometi pra mim mesmo não querer
nunca mais por ninguém me apaixonar
Você pode pedir pra eu me afastar,
só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

NC
Pela sua vontade esse episódio
não merece atenção nem comentário
quer que eu rasgue os segredos no diário
no lugar do amor semeio o ódio
pra ver outro apossar-se do meu pódio
eu desci sem vontade de descer
e vou guardar de hoje em diante sem poder
esse amor com vontade de gritar.
Você pode pedir pra eu me afastar,
só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

RN
Sua mãe aceitou o caso aberto
e o seu pai companheiro não foi êmulo
se escutar sua voz eu fico trêmulo
e imagino você chegando perto
tudo o quanto eu fiz foi pra dar certo
fiz a minha promessa pra valer
é um tempo perdido prometer
quando o outro não quer acreditar.
Você pode pedir pra eu me afastar,
só não pode obrigar-me a lhe esquecer.

Raimundo Nonato e Nonato Costa

UM CASAMENTO MATUTO EM CORDEL

Por arte das trevalia
Um dia eu tava quentão
Saí mei dirleriado
Andano pelo sertão
Atrai de dançar um xote
Findei foi enchendo o pote
Lá no bar de Zé Rumão.

Dispois q’ueu tava melado
Muntei na minha jumenta
Catuquei nas anca dela
E fui no rumo da venta
A burra disimbestou
E a danada só Parou
Na porta da véia Benta.

Ainda in riba da burra
Sinti chero de panela
De bode, carne, canjica…,
De galinha cabidela…
Pensei q’ueu tava num sonho
Quand’eu vi um Santo Atonho
Pulas brecha da janela.

Foi antão q’ueu m’alembrei
Que naquela sexta fêra
Era o dia do casóro
De Zabé cum Zé Tonhera,
E que no meu vai e vem
Cheguei no Sítio Xerém.
Conheci pela portera.

Seu Zé Tenoro me viu
E mandou eu dermuntá…,
Puxou logo uma cadera
E dixe: -venha pra cá!
Cumê galinha torrada
Beber ceuveja gelada
Tumá cana e proseá!

Um cunvite cumaquele
Era tudo q’ueu quiria!
Era quinem se um pobe
Tirasse na loteria.
Galinha, bode e cachaça!
Inda mais tudo de graça!
-Pra mim foi meu grande dia.

Era noite de San’João,
De forró, milho e fuguêra
E o povo das redondeza
Abriro suas portera
E fôro tudo in jumento
Pra assistir o casamento
De Zabé cum Zé Tonhera.

Entonce o juiz de paz
Moço decente e honrado
Anunciou o casóro
E disse uns palavriado
Que era chei de doutorixe.
Mais ô meno o que ele dixe
Vou fazer um apurado:

“_Estamo aqui riunido
Pra mode fazer o casóro
Do fíi de Ontõe Conrado
C’a fia de Zé Tenóro
E pro ser gente de bem
Vai ser no Sitio Xerém
Invês de ser no cartóro.”

Virou-se pra Zé Tonhera
E foi preguntano a Zé:
-Quá sua naturalidade
Zé respondeu: -Cuma é?
Zé Tenoro se meteu,
E dixe: _Onde tu nasceu,
Cabeça de Batoré!

Zé dixe: Ara que pregunta,
Dessa assim ninguém merece.
Eu nasci na minha casa
Lá donde o riacho desce
Se tiver mais dessa mande
-Eu sou do Sítio Pau Grande,
Todo mundo me cunhece!

O Juiz de Paz virou-se
C’aquele jeito sereno,
Oiô nos zói de Zabé
Rabiscou e foi dizeno:
Donde a sinhora nasceu?
Aí Zabé respondeu:
-Lá no Buraco Pequeno.

O juiz se espremeu
E cumeçô a surrí
E dixe: _Diga de novo,
_Se adisponha a ripití.
Zefa dixe em tom ameno:
_Sítio Buraco Pequeno
É lá adonde eu nasci!

Zé Tenóro deu um grito:
_Deixe de pregunta e ande!
E o juiz dixe: Eu num caso
Nem que o dregolado mande,
Essa noiva ta dizeno
Que é do Buraco Pequeno,
Mas o noivo é do Pau Grande.

Desse jeito num dá certo
Escute bem meu apelo
Se o sujeito é do Pau Grande
Vai ser grande o pesadelo
Naquele bota num bota
Se ele botá descangota,
-Veja só que dermantelo!

Zabé cumeçô chorá
Melano a cara todinha…
O véi tirou a pexera,
Desembalou da bainha,
E gritou para o sujeito:
O sinhô tenha respeito
Que Zabé é fia minha.

Zabé foi limpar os zóio,
Sortô a mão de Tonhera.
Que aproveitou que Zabé
Estava inchugano as bera
Dos óio cas duas mão,
Se afastou da murtidão
E disparou na carrera.

Zé Tenoro nessinstante
Esqueceu-se do Juiz
E gritou: Fíi duma égua…,
Fio duma miritriz…,
Daqui você sai casado
Ou então vai ser capado
Pulo tronco da raiz.

E saiu a murtidão
Correno atrás de Tonhera
Uns cum pau, Ôtos cum peda
Ôtos cum faca pexera
Numa grande rumaria,
E Tonhera escapulia
Pro dento das quebradera.

Quano agarraro Tonhera
Dero umas dez chibatada
Qu’ele perdeu um sapato
E ficou cum as carça mijada
Truxero ele prum claro
Perto de Zefa ajuntaro,
E truxero a papelada.

Quando o juiz viu ca coisa
Estava ficano preta
Foi falar, mas desistiu,
Pigarreou, fez careta,
E dixe no pensamento:
Vou fazer o casamento
Antes que eu me cumprumeta.

E dixe: _Seu Zé Tonhera,
O sinhô qué se casar
Cum dona Zefa Tenoro
Pra nunca mai se apartar?
Naquele instante Tonhera
Sintiu a faca pexeira
No seu pescoço encostar.

Sentiu a ponta da faca
E lhe deu um farnizim,
Um trimilique nas perna,
Na barriga, um brubuim,
Cuma quem conta um segredo
Pulou pro riba do medo
E disbugaiou um sim.

O Juiz virou pa Zefa
E antes de cumeçar
Ela já gritou que sim,
Que quiria se casar,
Nessinstante Zé Tenoro
Dixe: Termine o Casoro
Que o povo quer forrozar.

O Juiz naquela hora
Teve um má prissintimento,
Mas resorveu preguntá
Ali naquele momento
Se lá no Sítio Xerém
Tinha pro lá um arguém
Que era contra o casamento.

Foi antão que ouviu-se a voz
De Xica de Ontõe Conrado
Que Dixe: Esse Zé Tonhera
Já é um home casado,
É casado em Goianinha
Cum Vera, uma prima minha,
Nas orde do delegado.

O Juiz dixe danou-se,
Pra quê que eu fui preguntar!
Zefa dixe: -Nesse caso
Tomém num quero casar.
Tonhera virou de lado
E dixe eu tô dispensado,
E agora vou me mandar.

E escapuliu correndo
Sem ninguém correr atrás…,
Zé Tenoro dixe a Zefa:
Por arte do satanás
Pode o céu dá um açoite,
Se tu num casa hoje a noite
Antonce num casa mais.

Zefa meio arrependida
Ficou num canto calada.
Passou a mão na barriga,
Alembrou das ecapada
Cum Zuca do veio Duda,
Lembrou que tava buchuda,
E resorveu a parada.

Afastou-se assim de lado,
Assubiu numa cadera,
E gritou: Eu era noiva
Mas num amava Tonhera.
Pra festa cuntinuar
Eu pretendo me casar
Cum quarqué um que me quera.

Eu dixe: – É cumigo mermo,
Vamo casar nessinstante.
O Juiz fez o casóro
O forró seguiu avante
E até no raiar do dia
Foi só festa e alegria
Daquele dia em diante.

Assim termina essa história
Onde eu casei por acaso
Mas que deu foi muito certo
Nunca me trouxe um atraso
Vivo no Sítio Xerém
Levando chifre também,
Mas aí, … é outro caso.

José Acaci

O Poeta Gonga Monteiro Lança Livro

Poeta Gonga Monteiro faz lançamento de seu livro no dia 30 de Junho em Afogados da Ingazeira na casa de taipa- centro desportivo ás 19 horas. Na ocasião haverá recital de Poesias. Você que é amante da poesia esta convidado a prestigiar

terça-feira, 7 de junho de 2011

Pinto do Monteiro e João Furiba

João Furiba foi fazer uma visita ao poeta Pinto do Monteiro.
Pinto já se encontrava doente e sem enxergar quando Furiba chegou na porta de sua casa e, saudando o poeta, disse:

“Há tempo em que eu não vinha
nesta santa moradia
visitar o velho Pinto
Me traz tanta alegria
Que é mesmo que ter tirado
O bolão da loteria”

Pinto com muito bom humor, disse:

“Eu não imaginaria
que você chegasse agora
Com essa sua presença
Obtive uma melhora
Quer ver eu ficar bom mesmo
É quando você for embora”

No interior se fala assim

Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala

Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro

Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir é Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego
Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga

Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado
O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto

Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar

Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira

Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar

Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado
Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente de casa é Terreiro

Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
E pão-duro é Amarrado

Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado
Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar

Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada

Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
A sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala

Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda

Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha

Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco ao lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala

A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega

Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado

Estilingue é Balieira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um baba ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axila é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala

Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar

A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga

Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Ispinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala

Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha

Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala

Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego
Coisa fácil é Fichinha
Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dá Peitada
E o banheiro é Casinha

Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala.

Ismael Gaião da Costa

Espinheta Paixão

Dois pés de mandacarus
Em uma vereda se via.
Ali cresceram juntinhos
É assim que se noticia.
Não sei se é bem verdade,
Ou lenda que o povo cria.

O povo que passa por lá,
Fazendo sua romaria,
Diz que um, é o tal João,
O outro, é a bela Maria,
Filha de um fazendeiro
Que o namoro não queria.

Ela uma moça bonita!
João um bonito rapaz...
Que fora abatido a tiros,
Pelas mãos de um capataz.
A mando do fazendeiro,
Que nada entendia de paz.

Maria ficou desesperada,
Com a morte de sua paixão,
De posse de um punhal
Sangrou o seu coração,
E caiu em cima do moço,
Que estava morto no chão.

O velho pai desesperado
Acabou por enlouquecer.
Vendo sua filha única
Daquele modo morrer,
E teve ali o seu castigo
Porque fez por merecer.

Pouco tempo depois
Nascia naquele lugar.
Um par de mandacarus
Frente a frente a namorar.
Marco da velha história
Que eu acabo de contar.

Dalinha Catunda