segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Escola Luis Paulino de Siqueira Realiza 2° Sarau

A Escola Municipal Luis Paulino de Siqueira em São José do Egito realiza no dia 21 de setembro o segundo sarau, com a participação de poetas declamadores e participação de artistas da terra, você está convidado e convidada, não perca esta atividade cultural importante!


ATRAÇOES CONFIRMADAS  PARA O SARAU DA ESCOLA LUIS PAULINO DE SIQUEIRA


·         RENATO MARINHO
·         GRUPO DE FORRÓ VOZES E VERSOS
·         BANDA MARCIAL DA ESCOLA LUIS PAULINO
·         GRUPO DE DANÇA DA ESCOLA LUIS PAULINO
·         PARTICIPAÇÃO DO POETA DECLAMADOR FELIPE JUNIOR
·         PARTICIPAÇÃO DO ESCRITOR E POETA PAULO MOURA DO RECIFE.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

CARTA A TIÃO - ISABELLY MOREIRA




PRA COMEÇAR A HISTÓRIA
VOU LOGO ME APRESENTAR
EU MORO AQUI NO SERTÃO
NOS CONFINS DESSE LUGAR
AQUI NASCI, ME CRIEI
AQUI SEI QUE MORREREI
DEUS ME LIVRE ME MUDAR

EM “ÊTA” PRA ME CASAR
JÁ NA FLOR DA MOCIDADE
ME APAIXONEI POR UM MOÇO:
O CARTEIRO DA CIDADE
LOGO O TEMPO FOI PASSANDO
ELE E EU, JÁ NOS FIRMANDO
NUM NAMORO DE VERDADE

FOI QUANDO A NECESSIDADE
DE ARRANJAR MAIS DINHEIRO
FEZ MEU TIÃO SE MUDAR
POR PROBLEMA FINANCEIRO
E GUIADO PELA PRESSA
FOI ATRÁS DE UMA PROMESSA
DE EMPREGO DE PADEIRO

O DESTINO SORRATEIRO
LEVOU O MEU IDEAL
E TIROU DA TERRA MÃE
PRA MORAR NA CAPITAL
FIQUEI ASSIM SEM DEMANDA
DIVIDIDA EM DUAS “BANDA”
PELA DISTÂCIA FATAL

ME VI EM ANCIA MORTAL
POR ESSE AMOR QUE EU SENTIA
VIREI ATÉ SANTO ANTONIO
PRA VER SE A REZA SERVIA
MAS QUANTO MAIS SE PASSAVA
MENOS NOTÍCIA ELE DAVA
MAS ESPERANÇA EU PERDIA

MAIS DE ANO JÁ CORRIA
E EU CO’UMA PONTA DE FÉ
PENSAVA A QUALQUER MOMENTO
ELE ARREDARIA O PÉ
CISCARIA NO TERREIRO
SÓ PRA ME MATAR DE CHEIRO
E VOLTAR PRA SÃO JOSÉ

NUMA TARDINHA EU ATÉ
AJEITAVA MINHA TRANÇA
QUANDO MÃE BATEU NA PORTA
ME “FOFANDO” DE ESPERANÇA
COM EVELOPE NA MÃO
DEU-ME A CARTA DE TIÃO
AÍ CHOREI DE LEMBRANÇA

ASSIM COM MUITA BONANÇA
A CARTA DELE DIZIA
QUE TAVA DESEMPREGADO
E VOLTAR PRA CÁ QUERIA
MAS TAVA MEIO INDECISO
TRISTE, SEM CONFORTO, LISO
E NADA MAIS POSSUÍA

EU CONFUSA AGRADECIA
POR TUDO QUE SE PASSAVA
TIÃO TINHA ME ESQUECIDO
MAS AGORA JÁ LEMBRAVA
FUI TREMENDO E MEIO TONTA
PEGUEI LÁPIS, FIZ A PONTA
POIS SÓ RESPOSTA FALTAVA

FASTEI O PRATO DE FAVA
ME DEBRUCEI SOBRE A MESA
COMECEI A ESCREVER
MERGULHADA EM SUTILEZA
BOTEI CIDADE E DATA
FIZ A SAUDAÇÃO PACATA
E DESTRINCHEI COM FIRMEZA

-CARO TIÃO, A RIQUEZA
MAIOR QUE NA TERRA EXISTE
É O VALOR DO HUMANO
QUE DO SONHO NÃO DESISTE
VOCÊ PRA BUSCAR O SEU
DEIXOU DESPRESADO O MEU
CONFESSO QUE FIQUEI TRISTE

MAS PENSEI: SE TU INSISTE
EM VOLTAR PRA CÁ AGORA
POR CERTO QUE AINDA SENTE
NOSSO AMOR QUE REVIGORA
TALLVES TU ATÉ VIVESSE
TANTA SAUDADE E SOFRESSE
O QUE EU SOFRI EM OUTRORA

EU CONTEI DE HORA EM HORA
SÓ PRA TE VER RETORNAR
NÃO PRECISA TRAZER NADA
AS COISAS VÃO SE AJEITAR
MINHA REDE DÁ PRA DOIS
O RESTO SE VÊ DEPOIS
DE “POUQUIM” VAI CONSERTAR

QUANDO O MILHO BONECAR
TU VAI AJUDAR MAINHA
A COLHER A PLANTAÇÃO
EMQUANTO EU FAÇO A  FARINHA
E PENEIRO A MANDIOCA
QUE É PRA FAZER TAPIOCA
PRA COMER DE MANHÃZINHA

DEPOIS CHOCA UMA GALINHA
MAS DEIXANDO O OVO INDEZ
VAMOS TER UMAS BORREGAS
MAS SÓ PRECISA UMAS TRÊS
JÁ QUE NÃO TEM MUITO ESPAÇO
O POMAR EU MESMA FAÇO
PLANTO TUDO DE UMA VEZ

O AÇUDE QUE PAI FEZ
JÁ TEM ATÉ UNS PEIXINHOS
MAS SE NÃO QUIZER PESCAR
É SÓ CAÇAR PASSARINHOS
E CASO FALTE A MISTURA
PEGA “ALFINIM”, RAPADURA
E REPARTE EM PEDAÇINHOS

E QUANDO AOS NOSSOS CARINHOS
NÃO PRECISA DE EMBARAÇO
SE SENTIR FRIO EU SINTO
SE TU PASSAR FOME EU PASSO
SENDO ASSIM NÃO TEM BESTEIRA
PRA GENTE, TU SÓ FAZ FEIRA
QUE O RESTO “TUDIM” EU FAÇO

SEGUINDO POR ESSE TRAÇO
DEUS NOS DARÁ O PRESENTE
DE TER UMAS DEZ CRINÇAS
PRA O SÍTIO FICAR CONTENTE
POIS TENDO DEZ PRA CRESCER
QUANDO AGENTE ENVELHECER
JÁ TEM QUÉM CUIDE DA GENTE

RESOLVENDO O QUE SE SENTE
PODE MARCAR CASAMENTO
NEM PRECISA DE TRANSPORTE
VOU MONTADA NUM JUMENTO
NELE EU AMARRO UMA FITA
MEU VESTIDO SERÁ CHITA
MEU BUQUÊ UM “MOI DE COENTRO”

TE MANDO MEU SENTIMENTO
MEU AMOR, MEU CORÇÃO
VENHA SIMBORA DEPRESSA
NÃO VOLTE PRA LÁ MAIS NÃO
QUE EU ESPEREI ESSES ANOS
MAS ESQUECI OS ENGANOS
SÓ PELA NOSSA UNIÃO

E AQUI FICA A GRATIDÃO
DA SUA AMADA QUERIDA
ASSINA: MARIAZINHA
UM BEIJO DE DESPEDIDA
AO CHEGAR NO PAJEÚ
EU ME JUNTAREI A TU
PRA SER FELIZ TODA VIDA

                      FIM

AUTORA: ISABELLY MOREIRA DE ALMEIDA
SÃO JOSÉ DO EGITO-PE


sexta-feira, 27 de julho de 2012

LANÇAMENTO DO 1° CD DO GRUPO AS SEVERINAS


AS SEVERINAS - UM GRUPO FORMADO POR TRÊS MULHERES ARRETADAS QUE ALÉM DE ARTISTAS TAMBÉM SÃO GRANDES POETISAS, VEM MOSTRANDO OS SEUS ENORMES TALENTOS MUSICAIS E POÉTICOS, QUE TEM SINDO UM ORGULHO PARA OS MUNICÍPIOS DE SÃO JOSÉ DO EGITO E ITAPETIM. SÃO ELAS ISABELLY, MONIQUE E MARÍLIA. O NOSSO FORRÓ VERDADEIRO, O NOSSO FORRÓ RAIZ, O FORRÓ PÉ DE SERRA ESTÁ SENDO BEM REPRESENTADO COM ESSA TRINDADE QUE NÃO É A TRINDADE SANTA, MAS É TRINDADE TAMBÉM. O BLOG SERTÃO POETA DEIXA OS SINCEROS PARABÉNS POR MAIS UM DEGRAU ALCANÇADO QUE É O LANÇAMENTO DO SEU PRIMEIRO CD, E DESEJA MUITO SUCESSO A ESSAS GAROTAS NORDESTINAS ARRETADAS QUE ESTÃO DANDO CONTINUIDADE A NOSSA MAIOR RIQUEZA CULTURAL  QUE É O NOSSO FORRÓ PÉ DE SERRA.   

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Até quando meu Deus será que dura, Esta seca no meu belo Sertão




Meu sertão nesta seca prolongada
O matuto nosso fiél heroi
Alta noite sua cabeça dói
De pensar no clamor da filharada
De manhã sem ter leite nem coalhada
Sem arroz, sem farinha e sem um pão
Um pouquinho de agua no cacimbão
Vai buscar só encontra lama pura
Até quando meu Deus será que dura
Esta seca no meu belo Sertão

Meu sertão da famosa vaqueijada
Dos vaqueiros que cantam de manhã
Cada aboio que ecoa lá na chã
Despertando a alegre passarada
Hoje em dia o sertão não tem mais nada
O sol quente torrou a plantação
Não deu fava, nem milho, nem feijão
E nem cana pra fazer a rapadura
 Até quando  meu Deus será que dura
Esta seca no meu belo Sertão

Cai a folha cinzenta do pereiro
Seca o pé de cajueiro no baxio
A coruja tristonha solta um pio
Por não ver uma fruta no cardeiro
Seca a água que tinha no barreiro
Não vem gia em redor do cacimbão
O xexéu desafina o violão
Nunc a mais toca um hino de ternura
Até quando  meu Deus será que dura
Esta seca no meu belo Sertão

Autora: Roseane Lopes (Subrinha do Poeta Zé Catota)

Quando choveu no sertão




Ouvi cantar o xexéu
Nos galhos das aroeiras
Acordei com o doce canto
Dos richinóis nas biqueiras
Respondendo aos assovios
Dos inhambus nas capoeiras

Autora: Roseane  Lopes (Subrinha do Poeta Zé Catota)

Vale do pajeú




Uma saudade bonita
Com oitenta petalas finas:
A beleza das boninas
O perfume das mesquitas
Agraçeada pela fita
Da flor do mandacaru
Verdes ramos de bambu
Com milhões de pirilampos
Tochas sagradas dos campos
Do vale do pajeú

Autora: Roseane  Lopes(Subrinha do Poeta Zé Catota)



Se deus me levar pro ceu
Talvez eu fique por lá
Se comer das iguarias
Que os anjos chamam manjá
E recitar poeias
Com segredo das estrias
Da flor do maracujá

Eu posso até ficar lá
Talvez um fim de semana
Se tiver as diademas
Das flores da jetirana
Com folhinhas inquietas
E meus amigos poetas
Cantando e bebendo cana

Autora: Roseane Lopes (Subrinha do Poeta Zé Catota)

Se os meus olhos não virem mais teu rosto, A tristeza me leva à sepultura




Altas noites eu saio pelas ruas
Para mim estou te vendo em cada esquina
No silencio da busca vespertina
Para mim estou ouvindo as frases tuas
Os teus olhos emitem duas luas
Clarenado as paisagens da natura
Trazendo-me a lembrança viva e pura
De um dia eu viver ao teu encosto
Se os meus olhos não virem mais teu rosto
A tristeza me leva à sepultura

Se os meus olhos tiverem a pouca sorte
De não mais avistarem o teu semblante
O teu sorriso romantico delirante
O teu porte de atleta meigo e forte
Tenho plena certeza que a morte
Dar-me-á  por abrigo a cova escura
Mas minhalma ansiosa te procura
Até nu lugar que o sol é posto
Se os meus olhos não virem mais teu rosto
A tristeza me leva à sepultura

Neste lago de ondas cristalinas
Onde vamos seguindo sem parar
Eu tambem aprendi a velejar
O meu barco de dores e ruinas
No balanço incasável das andinas
Minha vista revoa se mistura
Se o naufrágio leva-me à lona pura
Morrerei afogada no desgosto
Se os meus olhos não virem mais teu rosto
A tristeza me leva à sepultura

Mais pensando que ainda  te assisto
Nos calores fraternos dos encontros
Já que a vida tem tantos desencontros
Eu espero na duvida não insisto
Asseguro-te que nunca tinha visto
Outros lábios pra ter tanta ternura
Se há parte do santo em criatura
O teu lindo semblante está composto
Se os meus olhos não virem mais teu rosto
A tristeza me leva à sepultura


Autora: Roseane lopes (Subrinha do Poeta Zé Catota)