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quinta-feira, 28 de julho de 2011

O RETRATO DO SERTÃO

Patativa do Assaré

Se o poeta marinheiro
Canta as belezas do mar,
Como poeta roceiro
Quero o meu sertão cantar
Com respeito e com carinho.
Meu abrigo, meu cantinho,
Onde viveram meus pais.
O mais puro amor dedico
Ao meu sertão caro e rico
De belezas naturais.

Meu sertão das vaquejadas,
Das festas de apartação,
Das alegres luaradas,
Das debulhas de feijão,
Das Danças de São Gonçalo,
Das corridas de cavalo
Das caçadas de tatu,
Onde o caboclo desperta
Conhecendo a hora certa
Pelo canto do nambu.

É diferente da praça
A vida no meu sertão;
Tem graça, tem muita graça
Uma Noite de São João.
No clarão de uma fogueira,
Tudo dança a noite inteira
No mais alegre pagode,
E um cacoclo bronzeado
Num tamborete sentado
Tocando no pé de bode.

Os que não querem dançar
Divertem com adivinha,
Outros brincam a soltar
Foguete traque e chuvinha.
A mulher quer ser comadre
E o homem quer ser compadre,
Um ao outro dando a mão.
Assim, o festejo cresce
E o sertão todo estremeçe
Dando viva a São joão.

Se por capricho da sorte,
Eu sertanejo nasci,
Até chegar minha sorte
Eu hei de viver aqui,
Sempre humilde e paciente
Vendo, do meu sol ardente
E da lua prateada,
Os belos encantos seus
E escutando a voz de Deus
No canto da passarada.

Aqui, do mundo afastado,
Acostumei-me a viver,
Já nasci predestinado,
Sabendo amar e sofrer.
Neste meu sertão bravio,
Nas belas tardes de estio,
Da chapada ao tabuleiro,
Eu louvo, adoro e bendigo
O ladrar do cão amigo
E o aboiar do vaqueiro.

Se a clara noite aparece,
Temos a mesma beleza.
Tudo é riso, paz e prece,
E a festa da natureza
Seu compasso continua.
A noturna mãe-de-lua
Solta o seu canto agoureiro,
Sua funérea risada,
Vendo a filha imaculada
Brilhando o sertão inteiro.

Que prazer! que grande gozo,
Que bela e doce emoção,
Ouvir o canto saudoso
Do galo do meu sertão,
Na risonha madrugada
De uma noite enluarada!
A gente sente um desejo,
Um desejo de rezar
E nesta prece jurar
Que Jesus foi Sertanejo.

Meu sertão, meu doce ninho,
De tanta beleza rude,
Eu conheço o teu carinho,
Teu amor tua virtude.
Eu choro triste, com pena,
Ao ver a tua morena
Sem letra e sem instrução,
Boa, meiga, alegre e terna
Torcendo um fuso na perna,
Fiando o branco algodão.


Cantei sempre e hei de cantar,
O que o meu coração sente,
Para mais compartilhar
Do sofrer de minha gente.
Com as rimas do meu canto
Quero enxugar o meu pranto,
Vivendo só na saudade
Com esta gente querida,
Modesta e destituída
De orgulho, inveja e vaidade.

Esta gente boa e forte
Para enfrentar conseqüência,
Que zomba da própria sorte
Com sobrada paciência,
Que trabalha e não se cansa,
Porque a sua esperança
É sempre a safra vindoura;
O sonho do sertanejo,
Seu castelo e seu desejo
É sempre o inverno e a lavoura.

Desta gente eu vivo perto,
Sou sertanejo da gema
O sertão é o livro aberto
Onde lemos o poema
Da mais rica inspiração
Vivo dentro do sertão
E o sertão dentro de mim,
Adoro as suas belezas
Que valem mais que as riquezas
dos reinados de aladim.

Porém, se ele é um portento
De riso, graça e primor,
Tem também seu sofrimento,
Sua mágoa e sua dor.
Esta gleba hospitaleira,
Onde a fada feiticeira
Depositou seu condão,
É também um grande abismo
Do triste analfabetismo,
Por falta de proteção.

Sou sertanejo e me orgulho
Por conhecer o sertão
Durmo na rede e me embrulho
Com um lençol de algodão.
De alpercata de rabicho
Penetro no carrapicho,
Sofrendo a vida penosa
Do trabalho do roçado
E por isso sou chamado
Poeta de mão calosa.

Da mais cruel desventura
Conheço o amargo sabor,
Pois vivo da agricultura,
Sou poeta agricultor.
Eu sei com toda certeza
Como é que vive a pobreza
Do sertão do Ceará,
A sua manutenção
É o almoço de feijão
E a janta de mugunzá.

Sou sertanejo e conheço
Meu sertão de carne e osso,
Trabalho muito e padeço
Com a canga no pescoço,
E trago no pensamento
Meu irmão do sofrimento
Que, no duro padeçer,
Levando o peso da cruz,
É quem trabalha e produz
Para a cidade comer.

Eu não ignoro nada
Deste sertão sofredor
Que puxa o cabo da enxada
Sem arado e sem trator.
Pobre sertão esquecido
Que ja está desiludido
E não acredita mais
Nas promessas e nos tratos
E juras de candidatos
Nas festas eleitorais.

Meu sertão da sariema,
Sertão queimado do sol,
que não conhece cinema,
Teatro, nem futebol,
Sertão de doença e fome
Onde o pobre asssina o nome
Com uma pena na mão,
Para, enganado e inocente
Dar um voto inconsciente
Quando é tempo de eleição.

Este sertão que persiste
Soltando os mesmos gemidos
É qual purgatório triste
Das almas dos desvalidos.
Ele não tem providência
De remédio ou de assistência
Pra sua gente roceira,
Dentro do mais pobre quarto
A mulher morre de parto
Nos braços da cachimbeira.

Do livro " CANTE LÁ
QUE EU
CANTO CÁ"
Filosofia de um trovados nordestino
13º Edição - Editora Vozes

Um comentário:

  1. Cordel do código de paz no trânsito
    Autor poeta
    Raimundo nonato da silva

    Ligue o carro em ponto morto
    Depois passe pra primeira
    Saia e passe pra segunda
    Da segunda pra terceira
    Quarta quinta sexta e ré
    Deixe esta por derradeira

    Se pagar fogo em ladeira
    Só sai em meia embreagem
    Não passe marcha atrasado
    Nem se apresse na viagem
    Não dirija só pra si
    E examine a rodagem

    Não tire o pé da embreagem
    Rápido que não pega bem
    Não apague o fogo na via
    Que a traz pode vir alguém
    Isto pra quem tem vergonha
    É o erro pior que tem

    Não ultrapasse ninguém
    Pertinho do quebra mola
    Pense no amortecedor
    Também no feixe de mola
    Não vá aprender sozinho
    Procure uma alta escola

    A prenda na alta escola
    Seja um aluno correto
    Quando for sair de casa
    Olhe o carro por completo
    Se os assessórios estão
    Ou falta algum objeto

    Nunca queira entrar direto
    Em sinal curva ou entrada
    Sinalize e olhe bem
    O que vem pela estrada
    Pra não bater nem sair
    Morto e de cara quebrada









    Não vá parar na parada
    Que é de outro transporte
    De um ônibus que é grande
    Se seu carro é de médio porte
    Não atropele ninguém
    Vá com fé e boa sorte

    Zele bem o seu transporte
    Faça sempre revisão
    Examine a embreagem
    Freio de pé e de mão
    O óleo e caixa de macha
    E a barra da direção

    Honre sua direção
    Faça ela defensiva
    Quem aprende ensina bem
    Numa aula educativa
    Viva o ciclista e pedestre
    E o condutor também viva

    Que a paz no trânsito viva
    E reine com esperança
    E por favor, não esqueça.
    O cinto de segurança
    Que ele protege a vida
    Do adulto e da criança

    Dirija com confiança
    Em deus no carro e na via
    Calibre bem os pneus
    Cuidado com a bateria
    Olhe o carburador
    Abasteça com água fria

    Seja de noite ou de dia
    Prove ser bom motorista
    Se federal disser para
    O carro para a revista
    Pare no acostamento
    Que está fora da pista





    Não jogue lixo na pista
    Para nunca ser multado
    Com a falta leve ou gravíssima
    Media ou grave ou cuidado
    Quem polui a natureza
    Ta cometendo pecado

    Conforme eu tenho estudado
    A falta leve são três pontos
    A media é quatro e a grave
    São cinco e não tem desconto
    A gravíssima sempre é sete
    E deixa alguém morto ou tonto

    Respeite todos os pontos
    Respeito o condutor deve
    Quando bater na buzina
    Der só um toque de leve
    Só quem não conhece o código
    De trânsito erra e se atreve

    Se discutir não releve
    O que o outro falou
    E não interdite o trânsito
    Se a caso o outro parou
    Evite engarrafamento
    Como o outro que passou

    Ensinando-lhe eu estou
    Se saia do aperreio
    Não vá disputar em racha
    Nem tranque quem vem no meio
    Nem acelere de mais
    Quando for pisar no freio

    Olhe os retrovisores
    De lado frente e por traz
    Quando é pra correr de menos
    Não é bom correr de mais
    Quem quer ter a paz no trânsito
    Também promoverá paz









    Cate brócolos e cabeçote
    Fazem parte do motor
    Biela tucho e cambota
    Cada peça tem valor
    Isso na mecânica básica
    A prendi com instrutor

    Não esqueça o extintor
    Se você for viajar
    Eu não estou desejando
    O seu carro incendiar
    Mas, em caso de incêndio.
    Ele vai lhe auxiliar

    O condutor de vê ser
    Esperto e inteligente
    Agir como um cidadão
    Saber proteger a gente
    Quem honra a cidadania
    Cuida do meio ambiente

    Não queira passar na frente
    De quem vem no rumo certo
    Olhe um lado e olhe o outro
    Pra ver se tem alguém perto
    Não mate ninguém nem morra
    Seja um motorista esperto

    Não bote o braço pra fora
    Da porta que é errado
    Pra não sofrer no perigo
    Do carro que vem do lado
    Quem faz assim ta sujeito
    Ter o seu braço amputado

    Todo motorista ruim
    No trânsito ele não respeita
    Da o sinal para esquerda
    E entra para a direita
    Não ler o código de trânsito
    Que é a melhor receita

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