quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um coquetel de Poetas e Versos

Ismael Pereira(PE) disse:

Depois que meu pai morreu
Minha mãe ficou sozinha
Na sua vida de pobre
Trabalhando pra vizinha
Estragado a vida dela
Pra dar conforto a minha

Antonio de França(RN) disse:

Não deve um homem querer
Por qualquer coisa brigar
Se alguém desafiá-lo
Deve fugir do lugar
Bonito é se defender
Sem ser preciso matar

José Monte(RN) disse:

É bonito se olhar numa represa
A marreca puxando uma ninhada
Com um gesto de mãe tão dedicada
No encontro das águas da represa
Quanto é lindo o arrolho da burguesa
Num conserto de notas musicais
A lagarta com letras naturais
Numa folha escrever fazendo um cheque
E palmeira selvagem abrindo o leque
Espantando o calor que a tarde faz

Antonio Queiroz(BA) disse:

Neste mundo que habito Deus é dono
Este espaço que eu vejo Deus domina
Tudo que há na Terra Deus criou
As virtudes da vida Deus ensina
Mas da mesma maneira que Deus fez
Qualquer dia querendo Deus termina

Leandro Tranquilino(BA) disse:

Mesmo que o Brasil divida
A partir de Salvador
Nós vamos ter crescimento
Seja de qual forma for
O Brasil precisa ter
Presidente cantador

Antonio Jocélio(CE) disse:

Sou um pobre a vagar sem companhia
Sem emprego, sem rumo e sem patrão
Sinto o fogo do sol, queimando a pele
Vejo marcas de luta em cada mão
E um soluço marcando os últimos passos
De quem nada arranjou na profissão

Zé Maria(CE) disse:

Ser poeta não é pensar de ser
Que quem pensa que é finda não sendo
Diz que sabe de tudo não sabendo
Que quem sabe não gosta de dizer
Pois que diz o costume é não saber
Que o sabido sabendo se aquieta
Mas o erro maldito do pateta
É querer um lugar que não lhe cabe
Diz ao povo que sabe, mas não sabe
O dever ideal de ser poeta.

Moacir Laurentino(PB) disse:

Acho bonito o inverno
Quando rio está de nado
Que o sapo faz oi aqui
Outro oi do outro lado
Parece dois cantadores
Cantando um mourão voltado.

João Paraibano(PB) disse:

O que mais me admira
É vê-se um sapo inocente
Que gosta de lama fria
Mas detesta a terra quente
Vendo da cobra o pescoço
Pinota dentro do poço
Pra se livrar da serpente.

Zé de Almeida(AL) disse:

Eu acho que esse louro
Dos outros é diferente
Não tem asa mas tem boca
Não tem bico mas tem dente
Não tem pena mas tem pena
De vir dar dinheiro a gente.

Noel Calixto(AL) disse:

Alagoas tem Quilombo
Belas praias, tem coqueiro
Berço de Apolônio Belo
E de Vicente Granjeiro
Famosa nas duas coisas
Marechais e violeiro.

Jorge Macedo(CE) disse:

Há quem traia por aí
Quando está se divertindo
Depois o forte remorso
Que ele fica sentindo
É maior que o prazer
De quando estava traindo.

Zé Fernandes(CE) disse:

A seca seca primeiro
Os depósitos cristalinos
Depois seca as esperanças
De milhões de peregrinos
Mas bota enchente de lágrimas
Nos olhos dos Nordestinos.

Miro Pereira(RN) disse:

O meu pai não tem estudo
Mamãe é analfabeta
Eu pouco fui à escola
Somente Deus me completa
Com esse sublime dom
De repentista e poeta.

Zé Gomes(RN) disse:

Nossa cantoria é feita
Para Neilson Galdino
Que cada verso cantado
Seja um milagre divino
Pra controlar as pancadas
Do coração do menino

Arnaldo Pessoa(PE) disse:

As flores do Pajeú
Eram os improvisadores
Muitos desapareceram
Mas deixaram sucessores
Eu sou o fruto mais novo
Da árvore dos cantadores.

Roberto Queiroz(PE) disse:

Admiro o Zé Ferreira
Um cantador estupendo
Se a roupa se suja, lava
Se rasga, bota remendo
Gasta menos do que ganha
Que é pra não ficar devendo.

Fenelon Dantas(PB) disse:

O rádio é para se ouvir
E todo mundo entender
O telefone é melhor
Para a gente ouvir sem ver
No telefone eu namoro
Sem minha mulher saber.

Raimundo Caetano(PB) disse:

Não gosto de ver nas ruas
Que os homens não são coesos
Que os marajás são felizes
Que os pobres são indefesos
Que os criminosos são soltos
Que os inocentes são presos.

João Abel(PB) disse:

A patativa de gola
Nos campos da providência
Uma pequena figura
Uma larga inteligência
Canta com tanta certeza
Sem precisar de ciência.

Cicero Mariano(PB) disse:

A estrela da arte se ascende
Pouca gente ao poeta dá valor
Quando morre um poeta cantador
A viola ficando a mulher vende
A família covarde não entende
Que viola sem ter obrigação
Muitas noites passou humilhação
Pra ganhar o seu pão de cada dia
Se a viola falasse pediria
Cobertura pra nossa profissão.

Maximino Bezerra(PE) disse:

Descobri comigo mesmo
Que a tristeza vem da dor
Carinho vem da ternura
A paixão vem do amor
A verdade vem de Cristo
E os versos, do cantador.

Zé Galdino(PE) disse:

Infância foi ilusão
Por quem por ela passou
A velhice é um museu
Que o tempo fabricou
Pra guardar as fantasias
Que a juventude deixou.

Sílvio Granjeiro(CE) disse:

Meu pai está com 80
Mamãe com 76
Eu estou pedindo a Deus
Que mate os dois de uma vez
E eu morra no mesmo dia
Pra o povo enterrar nós três.

Antônio Alves(CE) disse:

Se ela pudesse falar
Talvez que dissesse assim
Pra ladrão e assassino
Que só fazem o que é ruim
Tem sempre lugar no Mundo
Por que não tem para mim.

Gilberto Alves(AL) disse:

Nós não devemos querer
Orgulho nem vaidade
Porque bens materiais
Não trazem felicidade
Quem mais goza aqui na Terra
Sofre na eternidade.

Zenilde Batista(AL) disse:

A vinda da vida é linda
Quem nasce vem sem saber
E a morte é ida sem vinda
Que a vida vai sem querer.

Sebastião Dias(RN) disse:

Já nas avenidas belas
Cada edifício é um nome
Num bonito apartamento
Um burguês que tudo come
Ocupa os vãos que um pedreiro
Construiu passando fome.

Zé Cardoso(RN) disse:

Sem amor surge o ódio e nasce a guerra
Entre dores, lamurias e muitos gritos
Os soldados morrendo nos conflitos
Deixam manchas de sangue em nossa Terra
Vive o homem pensando que não erra
Muito embora errado sem saber
Faz chacina no mundo e não quer ver
Que Jesus é o seu superior
Sem saber que lutando com amor
Nem precisa de guerra pra vencer.

Chico Sobrinho(PB) disse:

Nordestino é um grande aventureiro
Quando chega na terra da geada
Não vai mais um forró numa latada
Não escuta a pancada do pandeiro
Toma banho debaixo de um chuveiro
Bem distante de um rio cristalino
Quando escapa das mãos de um assassino
É sujeito morrer num acidente
É o Sul, que escraviza o inocente
A maior ilusão do Nordestino.

Severino Pereira(PB) disse:

Saudade é como ferida
Que depois que dói inflama
O seu correio não tem
Recado nem telegrama
Nem mesmo a pessoa atende
Quando o mensageiro chama.

Lázaro Pessoa(PE) disse:

O João-de-Barro acha jeito
Pra seu serviço madruga
Faz uma casa e só entra
Depois que a parde enxuga
Enquanto mora não vende
Depois que sai não aluga.

Luciano Leonel(PE) disse:

Viola que me ensinou
A consertar coisas tortas
Ressuscitando esperanças
Que achei que estivessem mortas
Viola pra mim tem sido
A chave de muitas portas.

Genaldo Pereira(CE) disse:

A pixilinga tem sido
Um dos insetos mais graves
Que suja sem aparelhos
Voa sem aeronaves
E vive através do sengue
Que tem na vida das aves.

Paulo Pereira(CE) disse:

A formiga é um inseto
Que muito mal se comporta
Sem permissão do colono
Faz a invasão da horta
Mas perde 80 por cento
Das folhas verdes que corta.

Vem-Vem(SE) disse:

Você hoje se orgulha da riqueza
Tem dinheiro no banco e se exalta
Vive muito feliz por que não falta
A sagrada comida em sua mesa
Mas não zombe da casa da pobreza
Que o pobre, apesar de tudo é gente
Jesus Cristo em tudo está presente
Pra julgar qualquer um com sua luz
Pois que zomba das coisas de Jesus
Será pobre de espírito eternamente

Valdir Teles(PE) disse:

Mãe tirana e vaidosa
E o pai que não auxilia
Na hora da geração
Se gera com alegria
É pai na hora que gera
Depois esquece e não cria.

Chico Porfírio(CE) disse:

Eu acho bonita a ave
Ou muito grande ou pequena
Tanta beleza na pena
Uma voz branda e suave
O vagalume, uma nave
Da mais consagrada empresa
Voa com lanterna acesa
Nunca queimou um foguito
Vejo tudo de bonito
Nos filmes da natureza.

Jonas Andrade(PB) disse:

Corri atrás da galinha
Chega o mocotó inchava
Sentia tanta vontade
De comer ela com fava
Quando eu perdi a carreira
A boca chega amargava.

Biu Dionísio(PE) disse:

Meu sonho de alpinismo
No precipício caiu
Quando eu caí todos viram
Quando escalei ninguém viu
Os monstro feitos de mármore
Que a mão de Deus esculpiu.

Raimundo Borges(PE) disse:

No varal do infinito
Uma nuvem pendurada
Parece com uma roupa
Bem confeccionada
Deus coseu com maestria
Pra o corpo da madrugada

João Lourenço(PB) disse:

Eu já passei tanta coisa
Que na vida nem pensava
Pra minha felicidade
A mulher que eu procurava
Deus teve pena de mim
Mostrou aonde ela estava

Sinésio Pereira(PE) disse:

Eu já fui assim também
Quem pensa bem faz assim
Só mudei por que o mundo
Me obrigou a ser ruim
Hoje eu engano a quem devo
E cobro a quem deve a mim.

Daniel Olímpio(PE) disse:

A curva de Tamborelo
Ceifou uma vida doce
Senna queria ser tetra
Mas Deus não quis que ele fosse
A Fórmula Um continua
Porém, pra mim, acabou-se

Edezel Pereira(PB) disse:

Você só gosta de João
O que foi que João lhe deu
A mãe de João é a minha
O pai de João é o meu
Por que é que você acha
João melhor do que eu.

Adalberto Carvalho(PI) disse:

Joaquim, o seu trinta e oito
Eu vou encher de repente
Vinte e dois não vale nada
Que a bala não mata gente
Trita e dois a bala é fria
Trinta e oito a bala é quente.

José Ribamar(RN) disse:

Quem não crê que Deus existe
Existe sem merecer
Sem Deus não tem condição
Ninguém consegue viver
Ou pelo menos ser digno
De ser chamado de ser.

Louro Branco(CE) disse:

Eu podendo riscaria
Os trabalhos de Macedo
Cassava Paulo Maluf
Exilava Figueiredo
Expulsava Zé Sarney
Ressuscitava Tancredo

Ismael Pereira(CE) disse:

O mínimo precisaria
Aumentar uns cem por cento
Quem recebe no salário
Quinze reais de aumento
É mesmo que receber
Nota de falecimento

Heleno Severino(PE) disse:

Pinto Velho do Monteiro
Está cansado e sem dom
Garganta faltando voz
Viola faltando som
Nem toca, nem canta mais
Nem morre, nem fica bom

Jomaci Dantas(PB) disse:

O homem faz uma flor
Com a sua inteligência
Porém não é como a flor
Do Jardim da Providência
Porque não bota três coisas:
Pétala, Beleza e essência.

Francisco Raulino(RN) disse:

Por entre fracos e fortes
Eu vou enfrentado a lida
Se eu me perder por acaso
Pelas estradas da vida
Volto seguindo as pegadas
Que deixei soltas na ida.

Oliveira de Panelas(PE) disse:

Por este espaço onde moro
Meu sonho é tão colorido
Que eu tenho a doida impressão
Que ele foi construído
Por várias tintas confusas
De um arco-íris mexido.

6 comentários:

  1. É melhor que xerem com leite, ou galinha de capoeira, Poesia alimenta a alma Parabéns a todos e um grande abraço. Hamarildo Natal R.N.

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  2. Que espaço maravilhoso, tiro meu chapéu par todos, admiro o Cordel, lamento não ter o dom Cordelista. parabéns poetas, amei essas cordelanças.

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  3. O CASAMENTO DOS VELHOS
    Tem certas coisas no mundo
    Que eu morro e num acredito
    Mas essa eu conto de certo
    Dum casamento bonito
    De um viúvo e uma viúva
    Bodoquinha Papaúva
    E Tributino Sibito

    O véio de oitenta ano
    Virado num estopô
    A véia setenta e nove
    Maluca por um amor
    Os dois atrás de esquentar
    Começaram a namorar
    Porque um doido ajeitou

    Um dia o véio comprou
    Um corpete pra bodoquinha
    Quando a véia foi vestir
    Nem deu certo, coitadinha
    De raiva quase se lasca
    Que o corpete tinha as casca
    Mas os miolo num tinha



    No dia três de abril
    Vêi o tocador Zé Bento
    Mataram trinta preá
    Selaram oitenta jumento
    Tributino e Bodoquinha
    Sairam de manhazinha
    Pra cuidar do casamento

    O veião saiu vexado
    Foi se arranchar na cidade
    Mandaram chamar depressa
    Naquela oportunidade
    O veião chegou de choto
    Inda deu catorze arroto
    Que quase embebeda o padre

    O padre ai perguntô:
    Seu Tributino, o que pensa,
    Quer receber Bodoquinha
    Sua esposa, pela crença?
    O veião dixe: eu aceito
    Tô tão vexado dum jeito
    Chega tô sem paciência

    E preguntô a Bodoquinha:
    Se aceitar esclareça
    A véia lhe arrespondeu
    Dando um jeitim na cabeça
    Aceito de coração
    Tô cum tanta precisão
    Tô doida que já anoiteça

    Casaram, foram pra casa
    Comeram de fazer medo
    Conversaram duas horas
    Uns assuntos duns segredo
    E Bodoquinha dixe: agora,
    Meu pessoá, vão embora
    Que eu quero drumi mais cedo

    O véi vestiu um pijama
    Ficou vê uma raposa
    A véia de camisola
    Dixe: óia aqui sua esposa
    Cuma é, vai ou num vai?
    O veião dixe: ai, ai, ai
    Já tá me dando umas coisa

    A véia dixe me arroche
    Cuma se novo nóis fosse
    O véio dixe: ê minha véia
    Acabou-se o que era doce
    A véia dixe: é assim?
    Então se vai dar certim
    Que aqui também apagou-se

    Inda tomaram uns remédio
    Mas num deu jeito ao enguiço
    De noite a véia dizia:
    Mas meu véi, que diabo é isso?
    Vamo vendê essa cama
    Nóis sempre demo na lama
    Ninguém precisa mais disso

    A véia dixe: isso é triste
    Mas esse assunto eu esbarro
    Eu já bati o motor
    Meu véi estrompou o carro
    Ê, meu veião Tributino
    Nóis dois só tem um menino
    Se a gente fizer de barro.

    Fonde: Acorda Cordel



    Versos de Louro Branco

    Cantador como eu ninguém num fez
    Deus deixou pra mandar muito depois
    Que se cabra for grande eu dou em dois
    E se o cabra for médio eu dou em três
    E se for bem pequeno eu dou em seis
    Que a minha riqueza é bem total
    Cantador como eu não nasce igual
    Que ou nasçe mais baixo sou mais estreito
    Repentista só canta do meu jeito
    Se for fora de série ou genial.

    Acho bonito o inverno
    Quando o rio está de nado
    Que o sapo faz oi aqui
    Outro oi do outro lado
    Parece dois cantadores
    Cantando mourão voltado.


    Cantando com VALDIR TELES, o colega perguntou onde LOURO residia e depois disse o seguinte:

    QUALQUER DIA, MEU COLEGA
    VOU CONHECER SUA CASA...

    LOURO pegou na deixa e falou:

    MEU CUMPADE, A MINHA CASA
    É UMA CASA TÃO FEIA...
    D'UM LADO É UM CEMITÉRIO
    DO OUTRO LADO A CADEIA
    D'UM LADO SE COME TERRA
    DO OUTRO SE COME PEIA.

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  4. O CASAMENTO DOS VELHOS
    Tem certas coisas no mundo
    Que eu morro e num acredito
    Mas essa eu conto de certo
    Dum casamento bonito
    De um viúvo e uma viúva
    Bodoquinha Papaúva
    E Tributino Sibito

    O véio de oitenta ano
    Virado num estopô
    A véia setenta e nove
    Maluca por um amor
    Os dois atrás de esquentar
    Começaram a namorar
    Porque um doido ajeitou

    Um dia o véio comprou
    Um corpete pra bodoquinha
    Quando a véia foi vestir
    Nem deu certo, coitadinha
    De raiva quase se lasca
    Que o corpete tinha as casca
    Mas os miolo num tinha



    No dia três de abril
    Vêi o tocador Zé Bento
    Mataram trinta preá
    Selaram oitenta jumento
    Tributino e Bodoquinha
    Sairam de manhazinha
    Pra cuidar do casamento

    O veião saiu vexado
    Foi se arranchar na cidade
    Mandaram chamar depressa
    Naquela oportunidade
    O veião chegou de choto
    Inda deu catorze arroto
    Que quase embebeda o padre

    O padre ai perguntô:
    Seu Tributino, o que pensa,
    Quer receber Bodoquinha
    Sua esposa, pela crença?
    O veião dixe: eu aceito
    Tô tão vexado dum jeito
    Chega tô sem paciência

    E preguntô a Bodoquinha:
    Se aceitar esclareça
    A véia lhe arrespondeu
    Dando um jeitim na cabeça
    Aceito de coração
    Tô cum tanta precisão
    Tô doida que já anoiteça

    Casaram, foram pra casa
    Comeram de fazer medo
    Conversaram duas horas
    Uns assuntos duns segredo
    E Bodoquinha dixe: agora,
    Meu pessoá, vão embora
    Que eu quero drumi mais cedo

    O véi vestiu um pijama
    Ficou vê uma raposa
    A véia de camisola
    Dixe: óia aqui sua esposa
    Cuma é, vai ou num vai?
    O veião dixe: ai, ai, ai
    Já tá me dando umas coisa

    A véia dixe me arroche
    Cuma se novo nóis fosse
    O véio dixe: ê minha véia
    Acabou-se o que era doce
    A véia dixe: é assim?
    Então se vai dar certim
    Que aqui também apagou-se

    Inda tomaram uns remédio
    Mas num deu jeito ao enguiço
    De noite a véia dizia:
    Mas meu véi, que diabo é isso?
    Vamo vendê essa cama
    Nóis sempre demo na lama
    Ninguém precisa mais disso

    A véia dixe: isso é triste
    Mas esse assunto eu esbarro
    Eu já bati o motor
    Meu véi estrompou o carro
    Ê, meu veião Tributino
    Nóis dois só tem um menino
    Se a gente fizer de barro.

    Fonde: Acorda Cordel



    Versos de Louro Branco

    Cantador como eu ninguém num fez
    Deus deixou pra mandar muito depois
    Que se cabra for grande eu dou em dois
    E se o cabra for médio eu dou em três
    E se for bem pequeno eu dou em seis
    Que a minha riqueza é bem total
    Cantador como eu não nasce igual
    Que ou nasçe mais baixo sou mais estreito
    Repentista só canta do meu jeito
    Se for fora de série ou genial.

    Acho bonito o inverno
    Quando o rio está de nado
    Que o sapo faz oi aqui
    Outro oi do outro lado
    Parece dois cantadores
    Cantando mourão voltado.


    Cantando com VALDIR TELES, o colega perguntou onde LOURO residia e depois disse o seguinte:

    QUALQUER DIA, MEU COLEGA
    VOU CONHECER SUA CASA...

    LOURO pegou na deixa e falou:

    MEU CUMPADE, A MINHA CASA
    É UMA CASA TÃO FEIA...
    D'UM LADO É UM CEMITÉRIO
    DO OUTRO LADO A CADEIA
    D'UM LADO SE COME TERRA
    DO OUTRO SE COME PEIA.

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  5. Titulo:
    Em nome de todos com gratidão, por você ter existido.
    01
    O nordeste estar de luto
    Pela a perca de um ser
    Da nossa humanidade
    Pra todos o bem querer
    Com a partida deste poeta
    Ficaram muitos sem entender
    02
    Pra melhor assim dizer
    Ele foi pro reino da gloria
    Deixando o seu legado
    Escrito em muitas historia
    Que Deus guarde ao seu lado
    Aqui guardamos na memória
    03
    Francisco Maia de Queiroz,
    Louro Branco o popular
    Um poeta e repentista
    Você pode me acreditar
    Foi um grande compositor
    O melhor em todo lugar
    04
    Nasceu em dois de setembro
    Em mil novecentos e quarenta e três
    Porém na Vila Feiticeiro
    Conto-lhe um pouco pra vocês
    O município foi Jaguaribe
    Na certeza não digo talvez
    05
    Louro Branco era um poeta
    Que encantava ao se apresentar
    Com seu bom humor e brincalhão
    E seu jeito de improvisar
    Começou aos dose anos
    Nunca mais quis parar
    06
    Cantou com os maiores repentistas
    De quatrocentos festivais participou
    Deixa setecentas composições.
    E só o ensino mediu estudou
    Entretanto as profissões exercidas
    Foi pescador, agricultor e vendedor.
    07
    Foi um vendedor ambulante
    Deram experiência e expressão
    Aliada a sua então sabedoria
    Na faculdade da vida teve formação
    Foi uns maiores ícones do repente
    Que deixou esse legado e recordação
    08
    Era uma rapidez de raciocínio
    Que nos causava admiração
    Louro Branco você e será
    Um ser da nossa recordação
    Aqui deixo o meu lamento
    Em nome de todos com gratidão


    Autor:
    Poeta Barbosa filho

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