Blog Sertão Poeta, Anuncie!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

É Curpa do Prisidente

Imagem da Net

Num gosto nem de pensá
nessa tar de azaração
mai num vejo cuerência
tão poco ixpricação
só pode sê que os dotor
se juntaro eles dois
pa mostrá quem manda ô não.

Vô lhes contá a história
sem tirá nem pô tamém
foi anti das eleição
e num tinha pra ninguém
cheguei lá no seu dotor
sem uma puta duma dor
de quem acha que nada tem.

Ele abriu a papelada
me convença quem pudé
num é vingança nem nada
cum essa cara de ralé?
me despachô da sua lista
pá endocrinologista
na cova já sinti o pé.

Eles são a crasse média
dito e feito! fez sintido
me olham só de soslaio
acham que eu sô um pirigo
a dotora se aprumô
lápis e paper catô
só fartô mandá pro lixo.

Escreveu tanto a muié
que me deu inté gastura
me proibiu de cumê
até memo rapadura
é vingança ou num é?
vai contá pra quem quisé
se isso fô só consurta.

Eu inté argumentei:
Dona, tenha piedade
é a primera veiz na vida
deisdi a minha mocidade
que eu tenho mortadela
e posso inté cumê ela
cum tanta facilidade.

Meu Prisidente falô
eu vi na televisão
cumê quatro veiz pur dia
é o distino da nação
a ex dama é magricela
num quero sê cumo ela
me dexa cumê e tá bão.

Nessa hora inté pensei
que o teto ia desabá
ela incumpridô a lista
botô nela até jabá
linguiça, paio, toicinho
ai meu santo dos fominha
só o sior pode me sarvá.

E me botô porta afora
depoi de midí a pressão
viu que ela tava boa
e num havia cundição
de cabá co a minha vida
mai que na lista cumprida
eita dotora do cão!

Mai num fai má, eu engulo
memo eu seno inocente
que na verdade essa curpa
é lá do tar Prisidente
foi prometê comelança
despertô foi a vingança
e essa rangeção de dente.

Eu só lamento de fato
a minha sócia Ciducha
vô tê que dizê pra ela
sem rodeio e é na bucha
o embutido tá falido
antes memo de nascido
foi decreto lá da bruxa.

Mai num vô ficá pur baxo
cão que mordi num lati
que no tar do purtugueis
ninguém no mundo me bati
vô istudá agronomia
aprendê as alkimia
e vortá dotro quilate.

 Trago meu otro projeto
que nesse eles bota fé
não garanto lucro certo
adere se ocê quisé
no terreno lá do Embú
nói vamu prantá xuxu
seja lá o que Deus quisé.
 
Tere Penhabe
Santos, 01/11/2006
Fonte: Poesia de Cordel

Nenhum comentário:

Postar um comentário