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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Chuvas de volta no Sertão

Foto: Mario Almeida

A cigarra agorenta logo some
Quando a água no chão desce rolando.
O carão na represa já cantando
Dá sinal que não vamos mais ter fome.
Castigado deixou de ser pronome
Quando o verbo chover caiu no chão.
Vi menino correndo pra o oitão.
E banha-se em goteira que desperta.
Deus não tarda, nem falha e na hora certa
Abre o céu pra chover no meu Sertão.
.
A notícia chegou na capital
E dizia: tem chuva e o Sertanejo
Muito alegre plantando a roça vejo
E a boiada na lama do curral,
Se atolando e o verde milharal
Escurece de longe a visão.
Quem passou por castigos do verão
Agradece contente pela oferta.
Deus não tarda, nem falha e na hora acerta
Abre o céu pra chover no meu Sertão.
.
Uma barra se forma no nascente
E o trovão estremece e dá sopapo.
Na lagoa festeja rã e sapo
Pra deixar o cenário mais contente.
O riacho transborda e a enchente
É tão forte que quem vai ao ribeirão,
Ouve o ronco das águas e o clarão
Do relâmpago nos dando uma alerta.
Deus não tarda, nem falha e na hora acerta
Abre o céu pra chover no meu Sertão.
.
Foi três anos de seca castigando
Muito gado morreu de fome e sede.
Faltou pra nós, no pé de uma parede
Um "paió" com feijão nos alegrando.
Mas, a gente ficou pra DEUS orando
E pedindo invernia pra nação.
Ele ouviu nossas preces e oração
E a paisagem deixou de ser deserta.
Deus não tarda, nem falha e na hora acerta
Abre o céu pra chover no meu Sertão.
.
O Poeta da terra em Poesia
De amanhã acordou num só repente.
Foi pro campo plantar sua semente
De melão, jerimum e melancia.
Meio dia na rádio cantoria
Relatando as chuvadas com emoção.
E quem foi morar noutra região,
Quer voltar que a saudade já lhe aperta.
Deus não tarda, nem falha e na hora acerta
Abre o céu pra chover no meu Sertão.
.

De Andrade Lima.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cordel: A doença do rico é a saúde do pobre


Jota Rodrigues


Ou senhora Aparecida
Santa padroeira nodre
Abençoai este livro
Que minha pena descobre
Sobre a doença do rico
Ou a saúde do pobre

A vinte e três de setembro

Linha manhã domingueira
O poeta Zé Rodrigues
Vendendo cordel na feira
Teve atenção despertada
Com uma visita hospitaleira

Era o douto Hézio Cordeiro

Com um outro médico ao seu lado
E uma senhora distinta
Com os anéis de doutorado
E os três procurava xilos
Grande em canudo enrolado

E não tendo a xilogravura

Que o dotô Hézio pedia
Zé Rodrigues prometeu
Que de São Paulo trazia
Sem prazo estipulado
podendo ser qualquer dia

E na noite de São Cristóvão

Numa palestra sadia
Muito respeitosamente
O doutor Hézio pedia
Que Zé Rodrigue escrevesse
Dois livros com primazia

E com muito zelo e carinho

Escrevo este primeiro
Ilustro o pobre e o rico
Por sorriso e desespero
E ofereço aos meu leitores
E ao doutor Hézio Cordeiro

Neste verso começamos

A pequena discrição
Quando eu na maternidade
Fui visitar dois pagão
Um era filho de um rico
E o outro de um pobretão

O filho do rico estava

Com manta e enxoval bordado
Trancelim de ouro fino
Sapatinhos prateado
Num berço chique e elegante
E seis enfermeiras de lado

O filho do pobre estava

Numa grade de madeira
Sem manto e enxoval
Sem sapato ou enfermeira
Sem bico e sem trancelim
Na mais profunda berreira

Chegando o médico parteiro

Deu alta às duas mulher
A mulher do rico foi
Pra São Francisco Xavier
E a mulher do pobre foi
Pra favela do Jacaré

Chegou a mulher do rico

Na sua rica mansão
E depressa duas babá
Correro para o portão
Pra receber o garoto
Filho do rico patrão

E na casa da mulher rica

As coisas muda de tom
Tem leite materno forte
Aveia e ninho do bom
Tem canjinha de legume
Tem tôd e leite elêdon

O menino pobre tem

Mingau de fubá cozido
Sem leite tôd ou aveia
Aguado e sempre dormido
E até sem leite materno
Que o da mamãe foi sumido

O filho rico tem berço

Pijaminha e mosquiteiro
Tem ar condicionado
pra soprale o dia inteiro
Não panha sol nem sereno
Nem brinca pelos terreiro

O menino pobre tem

Shortinho e cueiro rasgado
Sem pijama ou mosquiteiro
Nem ar condicionado
Por berço tem o chão frio
E coberta é saco emendado

Cria-se o menino rico

Com maiores regalia
Não toma banho na chuva
Não pisa em terra fria
Não pode apanhar poeira
Porque sofre de elegia

Cria se o menino pobre

Dormindo pelas calçada
Tomando banho na poeira
E nas valas enlamaçada
Papando barro e tijolo
E a barriga toda inchada

Aos vinte anos de idade

O menino rico é rapaz
E pra conservar a saúde
As previdências é demais
Não bebe água de poço
E pisar descalço jamais

Enquanto o menino pobre

Já tem os pés calejado
Pisando em caco de vidro
Pregos ou arame enfarpado
Bebe água até de vala
E tem saúde e é corado

O menino pobre anda

Descalço sujo e rasgado
Panha chuva noite inteira
Passa um sufoco danado
E não sente dor nem canseira
Pois já tem o lombo curado.

Se o rico apanha uma chuva

Sofre o maior desmantelo
Dói ouvido, dói garganta
Dói cabeça e cotovelo
Tem febre e um suor frio
Em cada fio de cabelo

O pobre dorme em chão frio

Nas gigantes construção
Panha chuva noite e dia
Entre relâmpago e trovão
Faz pernoite nas calçada
E tem saúde de um leão

Se o rico pega uma gripe

E solta um espirro forte
Recolhe-se ao seu leito
Se maldizendo da sorte
Consulta com o médico e diz
Que esta na hora da morte

O rico quase todo dia

Mede a sua pressão
Vai ao cardiologista
Examina o coração
Mas qualquer dor de barriga
O tira de circulação

O pobre já nem si lembra

Da barriga ou coração
Suas massage é nos trens
De Japeri ou Barao
E sua cardiologia
É os chute na condução

O rico sem fazer nada

Sente dor, sente cansaço
Sente moleza no corpo
Sente fraqueza nos braço
Sente desânimo e preguiça
Sente-se em si um fracasso

O pobre não sente nada

Pois o seu tempo não dá
Para preguiça ou cansaço
Em seu corpo penetrar
Tão grande é seu sofrimento
Que isto não o faz abalar

Um rico encontra com outro

E vai logo perguntando
Como vamos de saúde
E responde o outro chorando
Estou com uma dor de cabeça
E a morte esta me chamando

Um pobre encontra com outro

Morrendo a fome e doente
Já pergunta como vai
O outro responde soridente
Sou cheio de vida e saúde
Esconde as dores que sente

Resumo neste livrinho

O tratado verdadeiro
Dos males do rico e o pobre
Reconhecendo o primeiro
Ilustríssimo doutor
Grande homem que me inspire
O nobre Hézio Cordeiro

O livro está terminado

Levem um pra me ajudar
Isto servirá de exemplo
Veja o luxo o que é que dá
Eu sou um pobre também
Rolo no chão e nada vem
A minha saúde abalar
Fonte: Blog Poeta Léo Medeiros

A Caatinga Nordestina


Quando o machado feroz
Extermina a baraúna
Mata também a graúna
Que cala triste sem voz
A espécie do aveloz
Já foi metade arrancada
E está sendo dizimada
Vítima da mão assassina
A caatinga nordestina
Precisa ser preservada

A ganância compulsiva
Aniquila a nossa flora
E o nosso bioma chora
Sem nenhuma alternativa
Canta triste a patativa
Emudecendo a toada
Numa aroeira queimada
Chora um galo de campina
A caatinga nordestina
Precisa ser preservada

Se a mata for destruída
Falta a flor pra jandaíra
Falta o néctar pra cupira
Pro bicho não tem comida
Azulão não tem guarida
Bate logo em revoada
A catingueira cortada
Bota lágrimas de resina
A caatinga nordestina
Precisa ser preservada

Lamentar é o que nos resta
Perante todo o extermínio
E o homem segue o fascínio
De destruir a floresta
A natureza contesta
Cada planta incendiada
Cada imburana ceifada
Cada galho que declina
A caatinga nordestina
Precisa ser preservada.

Autor: Poeta Hélio Crisanto
Fonte: Blog Poeta Léo Medeiros

A maior ilusão que eu já vivi Foi saber que vivi uma ilusão.

Como todo poeta apaixonado
Me deixei enganar por seu sorriso
Vi nos seus caracóis o Paraíso
E pensei que seria abençoado
Mas o Céu que eu havia imaginado
Transformou-se numa mera assombração
Quando chega esse tempo de São João
Eu me lembro de quem nunca me esqueci
A maior ilusão que eu já vivi
Foi saber que vivi uma ilusão.
(Mote de Dayane Rocha)
Poeta Wellington Vicente
Fonte: Blog Poeta Leo Medeiros

“Se isso tudo vivido foi mentira Você foi a verdade que eu vivi.”

Uma doce lembrança adormecida
No meu peito carente ainda vive
Recordando o carinho que ontem tive
E hoje é, apenas, saudade em minha vida.
A esperança eu chorei que foi vencida
E o sorriso sem graça eu te escondi
Pois, das coisas mais lindas que eu senti
Só o amor que me deste “inda” me inspira
“Se isso tudo vivido foi mentira
Você foi a verdade que eu vivi.”

Pedro Torres
Mote de Silmara Ferreira Marques
Fonte: Agroecologia News

Soneto de Mariana Véras

Imagem Blog Agroecologia News

Satisfeita, tranquila, apaixonada…
Esqueci a pureza dos meus versos
Quando a língua da alma anda calada,
Alguns passos na mente andam dispersos
Logo eu, que da rima sou refém…
Soneguei tantas linhas sem motivo
E a caneta com todo este desdém
Ofuscou meu olhar mais expressivo
Pois no olhar onde guardo minhas dores
Que transcendem razões, medos e amores
No encaixe da mão tem sua rota!
E o poeta que sente a sua essência
A saudade, o amor e a consciência
Sabe bem que seu verso nunca esgota!
Mariana Véras
Fonte: Blog Agroecologia News

E TEM AS SEVERINAS NO CASARÃO DO JABRE


As severinas

Quem já viu, vai ver de novo
Quem não viu, vai poder ver
Um forró pra ser dançado,
Um poema pra roer
Numa festa que só finda
Quando o dia amanhecer
 

Endereço: Zona Rural, Maturéia - PB, 58737-000
Telefone:(83) 9961-2003