quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Infeliz do Meu Compadre

Lá na terra donde eu vim
"A Jóia da sorocabana"
tal nome que lhe deu fama
muita história eu ouvi
e as que eu mesma percebi
mostravam sem hesitação
não podendo ser ilusão
que a morte é moça bonita
gosta até de fazer fita
p'ros medrosos de plantão.

Ora vestida de chita
de noiva ou camizolão
na estrada ou no portão
ninguém que a viu acredita
que essa mulher não exista
pra uns é fada madrinha
pra outros é o fim da linha
o fato é que ela passeia
dando uma ou volta e meia
e ainda faz gracinha.

Meu falecido contava
arrepiando-lhe os pelos
que a morte tem os cabelos
grandes como uma cascata
que os balança e faz bravata
ao passante amedrontado
trêmulo e todo molhado
sem recurso pra fugir
e sequer para admitir
o seu medo encalacrado.

Dizia ainda o finado
que a gargalhada da morte
para quem tem a má sorte
de vir a lhe conhecer
seja por ou sem querer
não é coisa que se esqueça
aconteça o que aconteça
fica gravado na mente
por mais que o peão seja crente
tende a tudo amolecer.

E esse fato que lhes conto
aconteceu de verdade
foi lá com nosso compadre
de tão bom ele era tonto
não merecia o confronto
que a malvada lhe impôs
não só um dia, mas por dois
atravessou seu caminho
chegando bem de mansinho
nunca foi o mesmo depois.

Foi na estrada vicinal
numa noite de serão
de uma a outra plantação
viajava o meu compadre
já pensando na comadre
que lhe esperava faceira
depois duma noite inteira
de sonhos de arribação
sabe Deus quanto tesão
foi pro vapor da chaleira.

Pois que ao olhar do lado
sentindo forte arrepio
meu compadre o que viu
não gosto nem de lembrar
passagem dele a contar
chorando que nem criança
homem forte, de sustância
perdeu o jeito e a vergonha
 parecendo uma pamonha
ao falar da circunstância.

Que a noiva de Bernardino
cidadinha malfadada
feia e mal assombrada
se agarrou ao meu compadre
que por infelicidade
já conhecia a história
não vendo no abraço glória
só terror e pantomina
mesmo ela sendo a menina
pra motivo de vitória.

Fez dele gato e sapato
divertiu a não mais poder
 queira ou não você crer
a morte é coisa mandada
não se amofina por nada
tinhosa como ninguém
acha estar fazendo o bem
inda caçoou do compadre
debochando de suas partes
não deu por elas vintém.

O homem que era garanhão
bom de traia e safadeza
impertinente o beleza
hoje vive capengando
nos cantos se lamentando
com sua cara de choro
conta que não deu no coro
nunca mais na sua vida
por conta da morte bendita
numa noite de sufoco.

Tere Penhabe
Santos, 11/04/2006_11:00 hs
Fonte: Poesias de Cordel

segunda-feira, 31 de março de 2014

ECOS DA AGRICULTURA FAMILIAR


QUEM VIVE DE AGRICULTURA
DEMOSTRA A MESMA BRAVURA
DE UM SOLDADO DE GUERRA
ENXADA É SEU ARMAMENTO
E A MUNIÇÃO O ALIMENTO
TIRADO DA PROPRIA TERRA.

SEU VIVER DE SACRIFICIO,
SUA IGNORANCIA E VICIO,
POR VEZES O FAZEM CRER
QUE TODA LUTA É EM VÃO,
QUE É QUEM MAIS PRODUZ O GRÃO
MAS POUCO TEM A COMER.

MAS A LUTA ASSOCIADA
COM A CLASSE ORGANIZADA
LHE DÁ NOVA REFERENCIA...
E O AGRICULTOR DESCOBRE
QUE O POBRE FICA MAIS POBRE
QUANDO FALTA CONSIENCIA.

AÍ NOTA QUE A RIQUEZA
NÃO REPOUSA NA BELEZA,
EM FAZENDA OU EM MOBÍLIA,
MAS EM FAZER BOM PROVEITO
DA MESMA LUTA NO EITO
CONSORCIADO EM FAMILIA.

A FAMILIA É RESPONSÁVEL
POR TODO LUCRO PROVÁVEL
DA PEQUENA PLANTAÇÃO,
MAS ESSA PEQUENA VENDA
GARANTE UMA GRANDE RENDA
PARA OS COFRES DA NAÇÃO

POIS SAI DO MEIO DA MATA
O ARROZ, O MILHO, A BATA,
TUDO VEM DO AGRICULTOR...
E PARA DAR GARANTIA
O SINDICATO AUXILIA
AO PEQUENO PRODUTOR.

COM ISSO O PAÍS PRODUZ
E ENERGIA UMA LUZ:
A SUSTENTABILIDADE.
NO JUIZO DOS PEQUENOS
OS CHOQUES JÁ CHOCAM MENOS,
POIS ASPIRAM LIBERDADE.

TUDO IGUAL SE DESENVOLVE
SE A AGRICULTURA PROMOVE
CULTIVO MAIS EFICAZ.
QUE A COLHEITA NATURAL
VINDA DA ZONA RURAL
SEJA DE JUSTIÇA E PAZ.

DUDU MORAIS, TABIRA 25/06/2011
POESIA TIRADA DO LIVRO “NAS REDEAS DA POESIA” LANÇADO PELO AUTOR









"Vejo o espelho cruel da minha sorte Refletindo a beleza do passado."

Vejo marcas profundas no meu peito 
Que o espelho da vida me reflete 
Não existe momento que repete 
Tudo aquilo que um dia já foi feito 
A metade de um sonho foi desfeito 
Com a outra metade foi levado 
O meu ser que não foi cicatrizado 
Chora em dor quando lhe machucam o corte 
"Vejo o espelho cruel da minha sorte 
Refletindo a beleza do passado."

Mote: Severina Branca 
Glosa: Dayane Rocha
Fonte: Blog Poeta Leo Medeiros

A saudade é um moinho que moi o peito da gente

Saudade não se desgasta 
Por mais que o tempo passe 
É na ausência que nasce 
Causando uma dor nefasta 
Quando quem gosta se afasta 
É qu’ela se faz presente 
Entra no peito carente 
Pra nele fazer seu ninho 
A SAUDADE É UM MOINHO 
QUE MOI O PEITO DA GENTE.

A saudade causa efeito 
Danoso a qualquer pessoa 
Quem guarda lembrança boa 
Sente a mesma, não tem jeito, 
Quando ele invade o peito 
Não há ninguém resistente 
Nem duro o suficiente 
Pra não sofrer um pouquinho 
A SAUDADE É UM MOINHO 
QUE MOI O PEITO DA GENTE.

Valdenor de Almeida – 07/06/2013 
Mote de: Mônica Barbosa
Fonte: Blog Poeta Leo Medeiros

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

“A MISTURA DE CORES NO POENTE, DEIXA O CÉU MAIS BONITO, AO FIM DO DIA.”

Imagem da Net
No mote malassombrado de Felisardo Moura eu tentei assim:
QUANDO O GLOBO COMPLETA A TRANSIÇÃO
DEUS FAZ FESTA DE CORES LÁ NO CÉU
COM MIL ANJOS PINTANDO, SEM PINCEL
O MAIS LINDO RETRATO DO SERTÃO.
É O MOMENTO FECUNDO EM QUE A EMOÇÃO
FAZ POETA SENTIR-SE EM HARMONIA
COM SU’ALMA ESCUTANDO A CANTORIA
DA FALANGE DO REINO ONIPRESENTE
“A MISTURA DE CORES NO POENTE
DEIXA O CÉU MAIS BONITO, AO FIM DO DIA.”
NOUTRO DIA O SOL NASCE AQUEBRANTADO
PELA BRISA GELOSA DA MATINA
E POUCO A POUCO O INFINITO ABRE A CORTINA
DA JANELA DO MUNDO ILUMINADO.
VAI-SE A NOITE E O CÉU TODO ESTRELADO
CHEGA A LUZ DA MANHÃ, E A FANTASIA
DE ESPERAR VER DE NOVO A POESIA
QUANDO TUDO SE PINTA NOVAMENTE
“E A MISTURA DE CORES NO POENTE
DEIXA O CÉU MAIS BONITO, AO FIM DO DIA.”
NO SILÊNCIO DO MUNDO DEUS ESCUTA
O ASTRO REI APAGANDO O CANDEEIRO
E O ABOIO SENTIDO DO CARREIRO
FAZ O SOL IR DORMIR, ATRÁS DA GRUTA.
NO INTERVALO DOS DIAS SEGUE A LUTA
DE REPENTE, O UNIVERSO SILENCIA
DÁ-SE INÍCIO A PINTURA QUE EXTASIA
E FAZ VERSO NO CORAÇÃO DA GENTE
“A MISTURA DE CORES NO POENTE
DEIXA O CÉU MAIS BONITO AO FIM DO DIA.”
Pedro Torres — com Felisardo Moura Nunes.

Pedro Torres

Imagem da Net
Nosso amor inda hoje nos dá frutos
Na lembrança que o tempo nunca apaga
Que a distância covarde, feito adaga,
Fere o brilho do olhar de dois matutos.
Sem deixar nossos olhos ser enxutos
Cada chance perdida os faz tristonhos
Que a saudade não morre, e os nossos sonhos
Nos olhares perdidos, vagam esmos…
Mesmo assim, suportando estes espinhos
Dividimos, os dois, nossos caminhos
Procurando no mundo por nós mesmos!
Pedro Torres          
Fonte: Blog Agroecologia News

A Lavandeira


Vovó, nos conselhos seus
Dizia que a lavandeira
Lavava a roupa Deus,
Poupando-a da baladeira…
Hoje dizem que era mito,
Mas até hoje acredito
E defendo até meu fim,
Que o mundo, com sua dança
Não tirou toda a criança
Que havia dentro de mim!!

A Formiga


EU ADMIRO A FORMIGA
QUE TEM PROBLEMA DE VISTA
ANDANDO NO ZIGUE-ZAGUE
SEM CARTA DE MOTORISTA
NÃO SE ATRASA NO TRABALHO
NEM CONGESTIONA A PISTA!
Lenelson Piancó.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sr Google



Convidei o Sr. Google
Pra comigo pelejar.
Ele respondeu: Não posso,
até porque não sei cantar.
Mas procuro na internet
Poeta, a quem compete,
esta arte versejar

Corri depressa à feira.
Lá buscando o cantador
Com sua viola em punho.
Num instante alentador.
Me disse logo: eu canto
Não precisa deste pranto
Sou bom improvisador.

Informei ao Sr. Google,
Alegre com a descoberta.
Ele varreu toda rede
Muito sério, bem alerta
Encontrou em outros lugares
Vários sites populares
Me deixou boquiaberta.

Finalmente o Sr Google
Buscando na wikipédia
Conheceu outros poetas
Nesta grande enciclopédia.
Aprendeu a fazer rima
Ninguém mais o subestima.
A vida, virou comédia

(Rosário Pinto)
Fonte: Blog Cordel de Saia

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Baixe As Armas, Comedor

Oh morena, oh moreninha
Deixa de morenação
Larga dessas invenção
De nós dois sozim ficar
Mode evitar confusão
Larga dessas invenção
Pense da zabumbação
E se teu pai desconfiar?

E vai que tu pega enxaqueca
E vai que eu sou bom de curar
E vai que tu arrisca um verbo
E vai que eu saiba verbiar
Vai que eu vire flecha doida
E vai que tu quer se flechar
Vai que tu seja espoleta
E vai que eu seja um malagueta

Feito goela de dragão

E vai que tu vem toda bela
De laço e fita amarela
Vai que tu se passarela
Vai que eu seja o rés do chão
Vai que tu arriba a saia
Vai que eu veja o essenciá
Vai que tu pede embreagem
Vai que eu saiba debrear

Vai que tu venta pro norteVai que sou todim jangada
Vai que eu seja um taboleiro
E vai que eu seja cocada
Vai que tu se enrouxinó-las
Vai que eu seja passarinho
Vai que eu saia da gaiola
Vai que amostre o ninho

E vai que tu sois moça anja 
Vai que eu seja um pecador
Vai que tu sois gozo eterno
Vai que eu sou rojão do amor
Vai que teu “ui ui, meu bem”
Acorde o véi roncador
Vai que esse véi grite brabo
Com o revolver no meu rabo:

- Baixe as arma, comedor!

Jessier Quirino 

Exemplo Politicoso


 Aquele ali por exemplo
É um político exemplar
Só pega no que é dele
Na hora que vai mijar
Rouba do cego o caneco
Rasga roupa de boneco
Pra ver menino chorar.

E vindo uma CPI
Querendo CPIzar
Estrebucha, mostra as prova
Moldada pra se provar
Se inocenta e vai-se embora...

Se for muito caipora
E não der pra se livrar
Renuncia, junta os caco...
Como nada aqui, dá nada
Dá outra candidatada
E torna a politicar.


JESSIER QUIRINO


O Nó Da Sabedoria

Pra mode falar bonito
Meu juízo se encriquia
Não é urêia é orelha
Não é rudia é rodilha
Até Latra de Arelha
Que‟u caprichei outro dia
Não é arelha é areia
Já abelha eu digo abeia
Vasilha eu digo vazia
Jurando ta tudo certo...
Tudo errado e eu não sabia
O certo é dizer vermelha
Não é viria é virilha
Não é parêia é parelha
Não é nuvia é novilha
De tanto escutar Mai Love
Maicon Jequison, calça Li
Eu jurava que baiguia
Era o inglês de ri-ri !!!
Eu vou parar por aqui
Adeus, até outro dia
Que‟u tou ficando enrolado
No nó da sabedoria
Eu tou agora assuntando
Se sabo eu tou me casando
Se com a Marilha ou Maria.


JESSIER QUIRINO 

O Imposto do Cupido

Nos braços da minha amada
Sou inventor de carinho
Tal qualmente um bem-te-vi
Eu chega fico alesado
Feito um bacorim mamado
Pro riba dos bacorinhos.

É aquele enganchamento
De perna de boca e mão
Aquele agrado de coxa
É aquela alisação
E se acaso ela der sopa 12 Descascadinha de roupa
Virge-Maria!... Sei não!

O falar da minha amada
É aquele meio-tom
Aquela vozinha fofa
Que nem um talco Pom-Pom
Na orelha desse ouvido
É aquele sustenido
Fazendo cochicho bom.

Meu peso sem gravidade
Me manera vento afora
Eu em formato de doido
Esqueço o dia e a hora
E se ela disser: - Menino!
Vambora fazer menino?
Menino, eu digo: - Vambora!

O imposto do cupido
Eu pago só o varejo
Aparecendo um fiscal
Declaro dois ou três beijos
E sonego o apurado:
Chamego luxuoso
Os fósco que acende a chama
Palavreado de cama
Os apelido dengoso
Os meus saldos de balanço
Curruxiado e gracejos
E aviso a fiscaiada
Se multar a minha amada
Tá multando meus desejos.


JESSIER QUIRINO