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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Mariana Teles

Tuparetama, ao voltar,
Nesse intervalo de agora,
Eu sinto a alma chorar
Sabendo que eu vou embora,
Mesmo com tantos extremos
Eu sinto que ainda temos
Muitos por quês entre nós,
De certo - só a paixão,
Que eu sinto pelo teu chão,
E o teu chão, por minha voz.
Sou tua, Tupã, tão minha!
Sou tua de corpo e alma.
Mesmo chorando sozinha,
Nas horas longe da calma,
É em ti, que eu paro e penso,
Faço da lembrança um lenço
Pra o choro da solidão,
És como um remédio forte,
E eu venho escapar da morte
Pisando o céu do teu chão.
Foi por aqui, nessas ruas,
Entre uma e outra calçada,
Que eu vi as estrelas nuas
No céu da noite calada.
Chorei o choro do não,
Guardei no meu coração,
O SIM de cada desculpa,
Amei demais e de menos,
Provei de muitos venenos
Que ainda carrego a culpa.
Aqui, eu senti a vida
Em todas as dimensões
Vi chegada e despedida,
Pedi e já dei perdões.
Por tuas ruas cumpridas
Vivi por quase mil vidas
Em duas décadas apenas,
Se eu cometi injustiça,
Também me faltou justiça,
De muitas mentes pequenas.
Ontem, menina impulsiva
De choro fácil e dor forte,
Hoje, uma mulher altiva,
De fé, de coragem e sorte.
Da menina, o jeito doce
Eu nunca pensei que fosse
Na mulher se transformar.
- De ideais sem ter fim
Guardei a menina em mim
Para a mulher não matar.
Eu tantas vezes neguei,
Amar a cor do teu solo,
Mas todas elas voltei
Para chorar no teu colo.
Nasci das tuas entranhas
Briguei nas tuas campanhas
Suportei aplauso e crítica,
- Como é comum aos loucos,
Sonhei que ias aos poucos
Crescer com a tua política.
Ah Tupã, meu Bom Jesus!
Sofri pra achar meu prumo,
E pra conduzir tanta cruz,
Eu morro e não me acostumo.
Fui dos sertões às chapadas,
Passei por tantas estradas
Voei por diversos ninhos,
Cresci mais do que pensava,
Sem saber que só estava
Voltando aos teus caminhos.
- Esses caminhos de volta,
Que eu faço de quando em vez,
Não alivia a revolta
De ficar distante um mês.
Que adianta tribunas,
Palco, refletor, colunas,
Luzes, aplausos e glória?
Se eu não te tenho aos meus pés
Para dizer que tu és,
Começo da minha história?
Minha Bom Jesus amada!
Tu és o meu universo,
Fonte primeira de cada
Inspiração do meu verso.
Tua Santa Rita santa,
Desperta beleza tanta
Que até a um morto arrepia,
Nos casarios sem ferrolho,
Deus bota a alma no olho
E enxerga a tua poesia.
Sem divisão de partidos,
- Somos um só coração
Longe dos sonhos vendidos
No voto e na prestação.
Sem cor de camisa exposta
Somos a melhor resposta,
De uma esperança em chama!
- Somos um sonho e um povo
Que do mais velho ao mais novo,
- É quem faz TUPARETAMA!
Voltarei, mas não sei quando
Sigo por vales e serras,
Mas ouço a alma ordenando,
Que eu volte pronta prás guerras. 
E quando eu voltar, Tupã,
Irei prostar-me igual fã
Se curva aos ídolos seus.
- Para te pedir benção, 
E colocar teu coração,
Dentro da alma de Deus.
Tupã de tantos abrigos,
Como é bom tê-la por minha.
Neutralizando os perigos,
Que na lembrança ainda tinha.
É bom chorar tuas dores,
Reencontrar os amores,
Sorrir sem ódio ou revolta
Alívio dos meus cansaços,
Estou de novo aos teus braços...
Ninguém se perde na volta.


Mariana Teles

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