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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Carlos Silva

Já dizia o poeta Severino,
um caboclo matuto do sertão,
que a vida só tem quatro sentidos,
um acerto dois erros e uma em vão,
são as glosas benditas da poesia
que estende no "oiar" a alegria,
de quem leva essa vida em canção.

È comum de se ver na minha terra,
um menino glosando alegria,
 e fazendo da vida catingueira
no cantar o disfarce da agonia,
 e assim segue ele sua estrada,
 amparado pela doce e bela amada,
 um rosário de fé e de poesia.

A suavidade de uma cantiga chega dói,
 no canto vasto do ferido coração,
são os sonhos declamados de saudades,
 amparados nas grotagens deste chão,
são os versos de um grande menestrel,
que debulha entre versos de cordel,
sua bela e refinada inspiração.

 E enquanto meu amigo ali se cala,
nas estradas eu espalho meu versar,
 pois um dia quando a gente se encontrar
voltaremos no tempo das cunversagens,
pois a vida já me deu trinta passagens,
de encontro ao passado meu presente,
vou alegre narrando esse repente
espargindo entre sonhos e miragens.

 Das trincheiras da saudade arranco versos,
açoitando meu pensar pelo caminho,
nessa vida eu já não ando sozinho,
sou amparado pela santa inspiração,
que consola meus acordes tão cantantes
e assim esses meus passos andantes,
 trazem paz ao meu corpo e coração.

Sou fiel na minha oralidade,
quando falo desta terra que me atrai,
pois o verso do poeta nunca sai
da sua boca sem a devida inspiração,
eu abraço no meu peito o violão
e desnudo meu cantar na poesia,
 sou assim cá das bandas da Bahia
de Santo Amaro, Eu sou da Purificação.

 Quem me dera que os vates grandiosos,
com seus verbetes retornassem a esta terra,
 pois faria muito amor matando a guerra,
dedilhando seu encanto na poesia,
isso sim de fato me bastaria,
pois a paz com certeza jamais erra.

 Sussurrei aos quatro ventos o teu nome,
angelical de sublimesa tão macia,
eu te amei ignorando a agonia,
do desprezo que matou meu sentimento,
eu confesso que tentei por um momento,
entender teu traçado de abandono,
pois chorei feito igual um cão sem dono,
 recebendo como troco o meu lamento.

Quem ousar ferir nossa poesia,
com certeza já é um adefuntado,
filologando do meu jeito meu recado,
é que sigo pela vida só versando,
das morenas sempre estou m’alembrando,
sem rancor, mas saudade fere e mata,
 é um nó que o destino não desata
 tora em lagrima um sofrer se afogando.

Eu nasci pra fazer as escrevenças,
do que vejo pelo mundo acontecendo,
e em cada dia que vai anoitecendo,
eu relembro dos amores do passado,
hoje só as lembranças dão recados,
desses tempos teimosos de outrora,
mas a dor escondida ainda implora,
maltratando meus pesares em pecados.

 Quem sou eu pra querer mudar o mundo,
 se o mundo por si só não é mudado,
Deus é Pai um santo glorificado,
que comanda o viver no firmamento,
eu aqui fico a pensar por um momento,
ai se o Homem obedecesse ao Criador,
 e espalhasse no mundo mais amor,
respeitando os sagrados mandamentos.

No plural ou na singularidade
todo entorno desta rima é recebida,
pois revela grande fato nessa vida
e a palavra do poeta é um presente,
cá estou formando versos em repente,
sem medir da historia seu final,
 um exercício que partiu do cerebral,
derramei nesse instante no papel,
e assim este texto em cordel
vou findando a narrativa dando um tchau.



 Carlos Silva

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